Mudança na jornada de trabalho promete alterar custos e competitividade em setores-chave da economia brasileira

Setores industriais e do agronegócio alertam para efeitos bilionários no fim da escala 6×1, com reflexos na competitividade e custos.
Mudanças na jornada de trabalho e o debate sobre o fim da escala 6×1 no Brasil
O fim da escala 6×1, que atualmente determina seis dias trabalhados para um de folga, está em discussão no Congresso Nacional em 2026, movimentando setores fundamentais da economia brasileira. A proposta do governo federal de adotar uma escala 5×2, com 40 horas semanais, e outras alternativas como a 4×3, apresentam diferentes impactos, sobretudo para a indústria e o agronegócio.
Impactos econômicos projetados para indústria e agronegócio com a alteração da escala
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a redução da jornada para 36 horas semanais pode gerar um impacto superior a R$ 70 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Esse cenário preocupa setores industriais, que já enfrentam dificuldades de competitividade internacional e enxergam no aumento dos custos laborais um possível acelerador da desindustrialização do país. No agronegócio, a mudança também traz preocupação sobre a produtividade e a dinâmica operacional.
Repercussões para bares, restaurantes e construção civil com a nova escala de trabalho
Além da indústria e do agronegócio, setores de serviços como bares e restaurantes manifestam cautela. Apesar de apoiarem a redução da jornada de trabalho, alertam que a escala 5×2 pode exigir contratações extras para cobrir os finais de semana, elevando custos sem compensações financeiras. No setor da construção civil, a necessidade de obras em finais de semana para minimizar impactos urbanos pode encarecer em até 20% os projetos e ampliar os prazos, gerando preocupação entre os representantes do segmento.
Caminho legislativo e desafios para implementação da nova jornada
O debate legislativo segue na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, onde será avaliada a constitucionalidade das propostas. Posteriormente, o texto passará por uma Comissão Especial para detalhamento e possíveis ajustes. Um dos principais desafios será a definição de compensações financeiras para setores impactados, tema que o governo resiste a flexibilizar, dada a meta de reduzir renúncias fiscais e controlar gastos públicos.
Perspectivas empresariais sobre os modelos alternativos à escala 6×1
Entre os empresários, há um consenso de que a proposta de redução para 40 horas semanais, com escala 5×2, representa um custo menor e menos impactante do que jornadas de 36 horas semanais ou o modelo 4×3. O analista econômico Gabriel Monteiro destaca que, apesar do aumento nos custos, esse modelo moderado é visto como mais viável para equilibrar as necessidades de trabalhadores e empregadores em um cenário econômico desafiador.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
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