Setor enxerga oportunidade de expansão e modernização com pacto comercial entre Mercosul e União Europeia

A indústria química celebra o acordo Mercosul-UE, que deve ampliar exportações e investimentos no setor brasileiro.
O impacto do acordo Mercosul-UE na indústria química brasileira
A indústria química acordo Mercosul-UE é vista como um marco para o setor, especialmente após a confirmação do pacto entre os blocos em janeiro. O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos Cordeiro, destacou que o acordo representa uma chance concreta de reposicionar a indústria brasileira dentro de cadeias globais que agregam maior valor. Em um contexto marcado por desafios como o excesso de oferta chinesa e preços internacionais pressionados, o pacto torna-se uma ferramenta estratégica para ampliar o acesso a mercados e incentivar o investimento em inovação.
Oportunidades para expansão e modernização tecnológica
Com a liberalização tarifária prevista no acordo, que inclui aproximadamente 91% dos bens importados pelo Brasil da União Europeia e 95% dos bens importados pela UE do Mercosul, a indústria química poderá usufruir de um ambiente mais moderno e previsível para investimentos. Sectores-chave como bioeconomia, química de base renovável e energia limpa são apontados como áreas prioritárias para avanço tecnológico e intercâmbio científico, favorecendo a competitividade brasileira no mercado internacional e a atração de capital.
Desafios do mercado e a balança comercial do setor
Apesar das expectativas positivas, o setor enfrenta desequilíbrios na balança comercial com a UE, que apresentou saldo negativo de US$ 13,5 bilhões em 2025. As exportações brasileiras para a União Europeia somaram US$ 2,2 bilhões, concentradas em produtos químicos orgânicos, enquanto as importações atingiram US$ 15,7 bilhões, com destaque para o segmento farmacêutico. Essas cifras ressaltam a necessidade de fortalecimento da indústria nacional para reduzir o déficit e aproveitar as vantagens do novo acordo.
Perspectivas para a assinatura e ratificação do acordo
A cerimônia de assinatura do acordo está marcada para 17 de janeiro em Assunção, com a participação dos países do Mercosul e representantes da União Europeia. Após este passo formal, a ratificação pelos parlamentos brasileiro e europeu será necessária para a entrada em vigor do tratado. Organizações como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) consideram o acordo um avanço relevante, ainda que reconheçam a necessidade de aprimoramentos para assegurar condições competitivas justas às indústrias locais.
O papel do setor produtivo diante do novo cenário comercial
Para aproveitar plenamente as oportunidades geradas pelo acordo, o setor químico brasileiro deverá investir em inovação, produtividade e excelência operacional. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, enfatiza que a verdadeira transformação começa dentro das fábricas, onde a competitividade terá que ser reafirmada frente aos concorrentes europeus. O desafio será garantir que as condições previstas no acordo se traduzam em benefícios concretos para o empreendedor nacional, tornando o Brasil um ator mais ativo e valorizado no comércio internacional da química.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
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