Infância e política: uma nova disputa em 2025

Análise sobre a utilização da infância como campo de batalha política

A disputa pela infância no Brasil continua em pauta, refletindo tensões políticas e sociais.

A infância e política se entrelaçam cada vez mais no debate público brasileiro, especialmente com a recente implementação de políticas educacionais que prometem a inclusão de crianças com deficiência. Contudo, essa inclusão tem sido utilizada como uma ferramenta de disputa política, refletindo uma visão moralizante que marginaliza essas crianças e suas necessidades.

O contexto atual da educação inclusiva

O decreto que institui a Política e a Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva trouxe à tona uma série de discussões sobre o papel da escola na formação e inclusão das crianças. No entanto, essa centralidade no tema não é um avanço democrático, mas sim uma tentativa de usar a infância como campo de batalha para diferentes projetos políticos. As crianças, especialmente aquelas com deficiência, estão sendo apresentadas como riscos à boa educação, uma narrativa que, em vez de promover a inclusão, busca justificar a exclusão e a segregação.

A instrumentalização da infância

Historicamente, desde o século 20, a responsabilidade pela educação e cuidado das crianças com deficiência sempre foi transferida para a esfera privada, com as famílias, principalmente das elites urbanas, criando instituições filantrópicas para lidar com essas questões. Essa prática perpetuou a ideia de que o cuidado com essas crianças é uma tarefa familiar, enquanto o Estado se esquiva de suas responsabilidades.

Com a redemocratização nos anos 1980, houve uma retomada do Estado na garantia dos direitos educacionais. Entretanto, as recentes discussões sobre se as escolas públicas estão “preparadas” para receber crianças com deficiência reavivam a ideia de que a responsabilidade deve ser privatizada novamente. Essa visão reforça a ideia de que a escola deve ser um espaço homogêneo, excluindo aqueles que desafiam o modelo de normalidade.

O futuro da educação inclusiva

No cerne desse debate, está a necessidade de redefinir o conceito de infância pública, que deve incluir todas as crianças, independentemente de suas capacidades. O direito à educação e à participação não pode ser uma questão de escolha familiar, mas sim um compromisso do Estado com a inclusão e a diversidade.

Defender uma escola pública inclusiva significa confrontar essa narrativa de exclusão e afirmar que a diversidade deve ser parte integrante da experiência educacional. O compromisso com a infância e a deficiência não deve ser visto apenas como uma questão moral, mas como um pilar essencial da democracia. Assim, a luta pela inclusão deve ser constante e direcionada para transformar a escola em um espaço que acolha e respeite a diversidade de todas as crianças.