Inflação de maio deve acelerar com alta em serviços e alimentos apesar da queda nos combustíveis

Projeções indicam desaceleração nos preços dos combustíveis em maio, mas inflação estrutural em serviços e alimentação preocupa especialistas

Inflação de maio deve acelerar com alta em serviços e alimentos apesar da queda nos combustíveis
Linhas de transmissão de energia elétrica em destaque. Foto: Cesar Olmedo/Reuters

Inflação de maio deve registrar alta próxima a 0,54%, com queda nos combustíveis e aumento nos preços de serviços e alimentos.

Projeção da inflação de maio e cenário econômico atual

A inflação de maio deve registrar uma variação em torno de 0,52% a 0,54%, conforme projetado por instituições financeiras e bancos. Este dado reflete uma desaceleração esperada nos preços dos combustíveis, impactados anteriormente pela instabilidade no Oriente Médio. Contudo, a inflação de maio traz sinais preocupantes devido à alta em serviços e alimentos, componentes essenciais da inflação estrutural. A análise do cenário mostra que, mesmo com o alívio nos preços dos combustíveis, o aumento persistente nos custos de serviços e bens industrializados pode pressionar o índice geral, afetando a economia e o bolso do consumidor.

Impacto da inflação estrutural em serviços e alimentos

A inflação estrutural, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, projeta uma aceleração, passando de 5,2% para 5,4%, segundo estimativas recentes. No setor de serviços, o ritmo anualizado permanece elevado, em torno de 6,1%, refletindo pressões contínuas em segmentos intensivos em mão de obra. Alimentos, especialmente itens in natura como leite, arroz e carnes vermelhas, também mostram aumento significativo, elevando o custo de vida e potencialmente afetando o consumo doméstico. Este cenário sinaliza que a alta nos preços não está restrita a fatores pontuais, mas envolve elementos estruturais da economia brasileira.

Preços dos combustíveis e energia elétrica: desaceleração e aumento simultâneos

Enquanto os preços da gasolina e do etanol tendem a cair, puxados por uma deflação em etanol e automóveis, a energia elétrica apresenta movimento contrário. A ativação da bandeira tarifária amarela e ajustes dos distribuidores devem elevar os custos da eletricidade em cerca de 3,4%, conforme a XP. Este aumento na energia elétrica contribui para a pressão inflacionária e impacta diretamente os custos industriais e residenciais. Assim, a dinâmica dos preços de combustíveis e energia elétrica exemplifica a complexidade do quadro inflacionário atual, com setores que se comportam de forma distinta.

Projeções para serviços subjacentes e bens industriais

As projeções indicam que a inflação dos serviços subjacentes deve crescer cerca de 0,49% a 0,53%, refletindo fatores como passagens aéreas e alimentação fora do domicílio. No segmento de bens industriais, observa-se uma desaceleração, com deflação em itens como automóveis e eletrodomésticos, além de uma alta menor em vestuário. Este comportamento heterogêneo evidencia que a inflação está concentrada em setores mais sensíveis à atividade econômica e ao trabalho intensivo, enquanto bens duráveis registram redução nos preços, possivelmente por efeito da demanda e oferta.

Expectativas futuras e desafios para a política econômica

Especialistas, como o economista Leonardo Costa do ASA, destacam que o cenário de inflação ainda apresenta riscos no curto prazo, influenciado pela revisão das projeções do Relatório Focus. A previsão de inflação anual foi ajustada para cima, atingindo 5,11%, enquanto a expectativa de crescimento do PIB também sofreu leve elevação. Estes indicadores apontam para um quadro de inflação persistente, que pode demandar atenção rigorosa das autoridades monetárias. O desafio reside em equilibrar o controle inflacionário sem comprometer a recuperação econômica, diante de pressões nos preços de serviços e alimentos.