Como um grupo de Belém transformou a cena musical do Norte do Brasil

O Manga Verde, grupo de samba de Belém, foi precursor na mistura do samba com carimbó, influenciando a música do Norte do Brasil.
O último show do Manga Verde, realizado em 12 de dezembro de 2025, na Praça do Carmo, em Belém, não foi apenas uma apresentação musical, mas um marco na história do samba no Norte do Brasil. Com uma plateia modesta, o evento reviveu a trajetória de um grupo que, por mais de três décadas, deixou uma marca indelével na cena musical paraense.
A Revolução do Samba Amazônico
O Manga Verde surgiu em 1986, inspirado por grupos como o Fundo de Quintal, e rapidamente se destacou por sua proposta inovadora. A intenção dos integrantes era clara: criar um samba que pudesse ser apreciado fora do contexto do Carnaval, algo que até então era praticamente inédito na região. Ademir da Marcação, um dos fundadores, destacou a importância de sua contribuição ao afirmar: “Fomos precursores desse samba na Amazônia, não havia antes”.
O grupo não apenas trouxe novas composições, mas também uma maneira de tocar samba que refletia a identidade amazônica. O primeiro álbum, “Janela de Belém”, lançado em 1989, é considerado uma obra-prima do samba brasileiro, introduzindo letras que falam sobre as vivências e a cultura local. Isso ajudou a moldar uma nova visão do samba, mais conectada com as raízes da região.
A Conexão com o Carimbó
Um dos aspectos mais inovadores do Manga Verde foi sua habilidade em mesclar o samba com o carimbó, gênero tradicional da região. Isso não só ampliou os horizontes do samba, mas também trouxe à tona as semelhanças rítmicas entre os dois estilos. Arthur Espíndola, um dos principais sambistas da atualidade em Belém, enfatizou essa contribuição: “O Manga Verde foi o primeiro grupo a fazer essa mistura, e hoje é comum, mas eles começaram”.
Durante o show no Psica, a música “Esse Rio é Minha Rua” foi um dos momentos mais emocionantes, combinando elementos do carimbó com o samba de uma maneira que fez vibrar a plateia. A fusão rítmica, onde o samba carioca se encontra com o carimbó, é um testemunho da riqueza cultural da Amazônia.
Legado e Impacto Cultural
O legado do Manga Verde vai além de suas vendas de discos; sua influência se reflete na nova geração de músicos que se inspiram em sua obra. O segundo álbum, “Fruto Sensual”, consolidou essa nova fase do grupo, trazendo letras bem-humoradas e um samba mais conectado com a realidade contemporânea.
A presença do Manga Verde na cena musical de Belém foi tão impactante que suas apresentações eram sempre um evento de grande importância, atraindo multidões e parando a cidade. No passado, o Lapinha, um famoso espaço de shows, se enchia às quintas-feiras para vê-los se apresentar.
Na apresentação do festival Psica, mesmo com um público reduzido, a energia foi contagiante, e os músicos mostraram sua conexão emocional com a música e a cidade. A canção “Janela de Belém”, que fala sobre a relação apaixonada entre os habitantes e a cidade, ecoou na praça, reafirmando a importância do grupo na identidade cultural de Belém.
Em suma, o Manga Verde não é apenas um grupo de samba; é um movimento que transformou e enriqueceu a cultura musical do Norte do Brasil, provando que a música é uma poderosa ferramenta de conexão e expressão cultural.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Felipe Omartins/Divulgação





