Internação forçada de dependentes químicos tem aprovação de 86% em Curitiba

Pesquisa revela amplo apoio à internação involuntária de moradores de rua dependentes, em casos de risco à vida ou à sociedade

Levantamento em Curitiba aponta que 86% aprovam internação forçada de dependentes químicos em situação de rua, principalmente quando há risco à vida.

O apoio à internação forçada de dependentes químicos em Curitiba atingiu 86%, segundo pesquisa realizada pelo instituto Paraná Pesquisas entre 22 e 25 de janeiro de 2026. O levantamento ouviu 802 habitantes da capital paranaense e indica que a maioria dos curitibanos concorda com a internação involuntária de moradores de rua dependentes químicos, sobretudo quando há risco à vida do próprio indivíduo ou de outras pessoas.

Contexto da portaria municipal

A alta aprovação ocorre no contexto da implementação de uma portaria municipal, aprovada em dezembro de 2025 pela gestão do prefeito Eduardo Pimentel (PSD). A norma autoriza a Secretaria de Saúde a ordenar a internação compulsória de pessoas em situação de rua com sofrimento psíquico decorrente ou não do uso abusivo de álcool e outras drogas.

Critérios para internação involuntária

Para que a internação seja autorizada, são exigidos:

Autorização do representante legal;
Laudo médico que comprove transtorno psiquiátrico;
Avaliação clínica indicando pelo menos um dos quadros abaixo: Incapacidade grave de autocuidados; Risco de vida ou prejuízos graves à saúde; Risco de agressão a si próprio ou a terceiros; Risco de prejuízo moral ou patrimonial; Risco de agressão à ordem pública.

A portaria permite ainda dispensar a aprovação familiar em casos de emergência médica.

Percepção pública e conhecimento da norma

Além da aprovação majoritária, 68,8% dos entrevistados afirmaram conhecer a nova portaria municipal para internação compulsória, enquanto 31,2% não tinham conhecimento sobre a medida. Independentemente do grau de conhecimento, 83,5% acreditam que a internação forçada pode ajudar a reduzir o número de dependentes químicos nas ruas de Curitiba.

Papel do poder público

A pesquisa também mostra que 89,4% dos curitibanos consideram que o poder público deve intervir nos casos de dependência química em situação de rua, mesmo sem o consentimento do paciente, especialmente quando há risco à vida do indivíduo ou da população.

Divisão de opiniões

Apenas 8,4% dos entrevistados se declararam radicalmente contrários à internação involuntária em qualquer situação, enquanto 3,1% responderam que a medida “depende da situação”. O resultado revela uma ampla aceitação social em torno do tema, refletindo a complexidade do enfrentamento da dependência química em espaços públicos.

Desafios e impactos esperados

A internação compulsória de dependentes químicos em situação de rua envolve questões de saúde pública, direitos humanos e políticas sociais. O respaldo popular demonstrado na pesquisa pode influenciar a execução da portaria e as estratégias municipais para o tratamento e acolhimento dessas pessoas.

Especialistas apontam que, embora a medida possa contribuir para a redução dos riscos imediatos à vida dos dependentes e da população, é fundamental que seja acompanhada por políticas integradas de assistência e reinserção social para garantir resultados efetivos no longo prazo.

Considerações finais

A pesquisa do Paraná Pesquisas evidencia a opinião dos cidadãos curitibanos sobre um tema sensível e urgente, alinhado com a decisão municipal de adotar a internação forçada como uma ferramenta para lidar com a dependência química nas ruas. O balanço entre proteção da vida, respeito aos direitos individuais e eficácia das políticas públicas permanece como desafio central para a administração local.