Nzo Mutá Lombô ya Kayongo sofre vandalismo e pichações ofensivas no bairro de Cajazeiras XI

O terreiro Nzo Mutá Lombô ya Kayongo, em Salvador, foi alvo de ataque com pichações e vandalismo, evidenciando a intolerância religiosa às religiões de matriz africana.
O terreiro Nzo Mutá Lombô ya Kayongo, situado no bairro Cajazeiras XI, em Salvador (BA), foi alvo de um ataque motivado por intolerância religiosa no sábado, 17 de janeiro de 2026. O local amanheceu com pichações contendo as palavras “assassinos” e “Jesus” nas paredes da entrada, além de vandalismo no porteiro eletrônico, que foi coberto por tinta.
Histórico e importância do terreiro
Com 33 anos de existência, o Nzo Mutá Lombô ya Kayongo integra a Nação Angolão Paquetan Malembá e é um dos terreiros mais antigos da linhagem de Mariquinha Lembá na região. Além de seu valor religioso, mantém atuação comunitária contínua, sendo um espaço importante para a preservação das tradições de matriz africana e para o fortalecimento da identidade cultural negra.
O ataque e a resposta legal
O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin) na segunda-feira, 19 de janeiro, e até o momento os responsáveis pelo ato ainda não foram identificados. Segundo a legislação brasileira, racismo religioso e injúria racial são crimes equiparados ao racismo conforme a Lei nº 7.716/1989, reforçando a gravidade do ocorrido.
Impactos para a comunidade e posicionamento do terreiro
Taata Mutá Imê, sacerdote do terreiro, destacou que o ataque representa uma agressão direta à liberdade religiosa e à dignidade das religiões de matriz africana, além de um ataque ao povo negro como um todo. Apesar da violência sofrida, a comunidade não pretende recuar. Em nota oficial, o terreiro classificou o episódio como um atentado à liberdade de crença e ao direito constitucional de culto, afirmando que a fé da comunidade não será silenciada.
Ações de resistência e mobilização
Como forma de resistência e recuperação, o terreiro anunciou que realizará uma “lavagem da sujeira”, uma atividade coletiva envolvendo integrantes da comunidade e simpatizantes, que visa limpar o espaço e reafirmar a fé e a união diante do ataque. A data para essa ação ainda será divulgada.
Reflexões sobre intolerância religiosa no Brasil
Este episódio em Salvador reflete o panorama mais amplo de intolerância religiosa e racismo que afeta especialmente as religiões de matriz africana no Brasil. O ataque ao Nzo Mutá Lombô ya Kayongo reforça a necessidade de políticas públicas efetivas e mobilizações sociais para proteger os direitos de crença e promover a convivência respeitosa entre diferentes manifestações religiosas no país.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Reprodução/Redes Sociais





