Análise revela exposição financeira e riscos para fundos de aposentadoria em meio à liquidação do banco

Institutos de previdência de estados e municípios investiram mais de R$ 1,5 bilhão no Banco Master, que está em liquidação judicial.
Institutos públicos de previdência de estados e municípios brasileiros totalizaram mais de R$ 1,5 bilhão investidos no Banco Master, instituição financeira que está em processo de liquidação judicial desde novembro de 2025. A análise, realizada com dados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), aponta que 18 institutos, incluindo os do Amapá, Amazonas e Rio de Janeiro, assim como de 15 cidades distribuídas pelo país, concentraram seus investimentos principalmente em letras financeiras — títulos com vencimento superior a dois anos e sem possibilidade de resgate antecipado.
Perfil dos investimentos e beneficiários
Esses recursos aplicados representam cerca de 3,5% do total investido pelos institutos analisados, que juntos atendem mais de 250 mil beneficiários, entre aposentados e pensionistas. O Rioprevidência, responsável por benefícios a 190 mil pessoas, detém o maior volume, com quase R$ 970 milhões aplicados em papéis do Banco Master, correspondendo a 10% de seus investimentos totais.
Fiscalizações e riscos associados
A movimentação financeira foi alvo de investigações pela Polícia Federal, motivando a exoneração do presidente da Rioprevidência após busca e apreensão na Operação Barco de Papel. A PF destacou riscos elevados e incompatibilidade dos investimentos com o perfil do fundo, que deveria priorizar a estabilidade para aposentadoria complementar dos servidores.
No Amapá, a Justiça determinou que os descontos de empréstimos consignados realizados por aposentados e pensionistas não fossem repassados ao Banco Master, mantendo os valores no Banco do Brasil para proteção durante a liquidação. Já no Amazonas, o instituto de previdência local monitorava rumores sobre a capacidade do banco em honrar seus compromissos desde outubro de 2024.
Casos em municípios e outras instituições
No interior de São Paulo, o Instituto de Previdência Municipal de Santa Rita d’Oeste investiu R$ 2 milhões em um fundo administrado pelo Banco Master, composto quase que exclusivamente por ações de uma única empresa, o que gerou alertas do Ministério Público de Contas devido à alta concentração e risco elevado.
Diversos municípios abriram sindicâncias para apurar as condições e legalidade dessas aplicações, como Araras (SP) e Paulista (PE), esta última citando compra “à revelia da governança interna”.
A Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae) manteve R$ 240 milhões investidos em CDBs do Banco Master mesmo após alertas sobre os riscos, implicando críticas sobre a gestão dos recursos públicos.
Reações e medidas dos institutos
Diversos institutos alegam que o pagamento de benefícios está garantido e que as aplicações seguiram normas vigentes no momento dos investimentos. Alguns, como o Rioprevidência, destacam que agiram conforme as normas do Conselho Monetário Nacional e aprovações internas. Outros, como o AparecidaPrev, denunciam irregularidades e comunicaram órgãos de controle e Ministério Público.
Instituições como o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Estado de Rondônia e o Instituto de Previdência de Santa Catarina informaram que adotam políticas de investimento conservadoras, restritas a grandes instituições financeiras, excluindo casos semelhantes ao Banco Master.
Perspectivas jurídicas e financeiras
Especialistas apontam que os fundos provavelmente terão perdas, já que o valor recuperável depende da liquidação dos ativos do Banco Master, que enfrenta desequilíbrios graves. Recomendam que beneficiários acompanhem suas informações financeiras de perto e acionem os tribunais de contas em caso de irregularidades.
Contexto regulatório internacional
No cenário externo, é comum que a legislação imponha limites para a diversificação e restrinja aplicações em papéis privados, visando mitigar riscos aos fundos de previdência, algo ainda em desenvolvimento no Brasil.
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Cartão do Banco Master. Foto: Cartão do Banco Master
Fonte: noticias.uol.com.br
Fonte: Cartão do Banco Master





