Ipea avalia absorção da escala de trabalho 6×1 pelo mercado

Estudo indica que redução da jornada para 40 horas semanais pode ser incorporada com impactos econômicos semelhantes a reajustes históricos do salário mínimo

Ipea avalia absorção da escala de trabalho 6x1 pelo mercado
Movimentação em estabelecimento comercial no Brasil. Foto: Agência Brasil

Pesquisa do Ipea mostra que o mercado de trabalho pode absorver a escala de trabalho 6×1 com custos similares a reajustes do salário mínimo.

Contexto da escala de trabalho 6×1 e redução da jornada para 40 horas semanais

O estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado em 10 de fevereiro de 2026, evidencia que a escala de trabalho 6×1, atualmente associada a uma jornada de 44 horas semanais, pode ser absorvida pelo mercado brasileiro com a redução para 40 horas semanais. O pesquisador Felipe Pateo destaca que os custos adicionais para o empregador seriam comparáveis aos impactos históricos de reajustes do salário mínimo, sem provocar perda significativa de empregos.

Impactos econômicos setoriais da redução da jornada

De acordo com a pesquisa, grandes setores da economia, como indústria e comércio, enfrentariam um custo inferior a 1% na operação em função da redução da jornada. Isso porque, nas operações dessas empresas, o custo com mão de obra representa menos de 10% dos custos totais, incluindo formação de estoques e investimentos em maquinário. Entretanto, serviços que exigem maior quantidade de trabalhadores, como vigilância e limpeza em edifícios, podem registrar aumento de até 6,5% nos custos operacionais, exigindo medidas específicas e transição gradual para a nova escala.

Desafios para pequenas empresas e políticas públicas necessárias

O Ipea aponta que as pequenas empresas, que empregam proporcionalmente mais trabalhadores com jornadas acima de 40 horas, enfrentam maiores dificuldades para adaptação. Nas empresas com até quatro empregados, 87,7% dos trabalhadores têm jornadas superiores a 40 horas, e a proporção sobe para 88,6% em empresas com até nove empregados. Para esses segmentos, a flexibilização na contratação, como a oferta de vagas de meio período, e políticas de transição serão essenciais para minimizar impactos.

Redução da jornada como fator de diminuição das desigualdades

O estudo destaca que a jornada de 44 horas concentra trabalhadores com menor escolaridade e renda, com mais de 83% dos trabalhadores com até ensino médio completo submetidos a essa escala, contra 53% entre aqueles com ensino superior. A redução para 40 horas equipara a carga horária desses trabalhadores aos que possuem melhores condições, aumentando o valor da hora trabalhada e promovendo maior equidade no mercado.

Movimento político e perspectivas para votação da proposta

A discussão sobre a redução da jornada e fim da escala 6×1 ganhou força no início de 2026. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, indicou que a votação pode ocorrer em maio. Duas propostas de emenda constitucional estão em tramitação: a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton, e a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também incluiu a pauta entre as prioridades do governo para o semestre, reforçando o debate e o potencial avanço legislativo.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Fonte: Agência Brasil