Regime intensifica censura digital e repressão para enfrentar maior onda de manifestações em décadas
Irã aposta em bloqueio da internet para conter protestos, adotando censura digital e repressão violenta para controlar a maior mobilização social em uma década.
O Irã aposta em bloqueio da internet para conter protestos que marcaram o início de 2026 como a maior onda de mobilizações sociais no país nas últimas décadas. O movimento começou ainda em dezembro de 2025 com manifestações de comerciantes no bazar de Teerã, motivadas pela forte desvalorização da moeda local. O apelo público de Reza Pahlavi, filho exilado do antigo xá, feito em redes sociais, ampliou significativamente o alcance e a adesão aos protestos.
Ampliação e impacto inicial dos protestos
Os primeiros protestos tiveram participação limitada, mas a convocação de Pahlavi, cujos vídeos receberam milhões de visualizações, mobilizou multidões em todas as 31 províncias do Irã. Foi a primeira vez desde a Revolução Iraniana de 1979 que um líder político fez um apelo explícito à mudança de regime, evidenciando a dimensão inédita do movimento popular. A resposta das autoridades foi subestimar a influência do exilado, que rapidamente se mostrou equivocada.
Estratégias do regime para controle da informação
Para conter a disseminação das manifestações, o governo iraniano impôs um bloqueio total da internet em 8 de janeiro de 2026, cortando linhas telefônicas e serviços de SMS. Isso deixou mais de 85 milhões de iranianos sem acesso a informações não oficiais, com o regime controlando totalmente as fontes de notícias disponíveis. Apenas alguns veículos estatais selecionados, vinculados à Guarda Revolucionária Islâmica, continuaram operando online.
Repressão violenta e apagão digital
Além do bloqueio digital, o regime recorreu à repressão violenta, com centenas, possivelmente milhares, de mortos e mais de 10 mil pessoas presas. Essa combinação de apagão digital e força bruta não é inédita, tendo sido usada em protestos anteriores, mas teve intensidade recorde em 2026. Um diferencial é a tentativa do regime de interferir nos sinais de internet via satélite Starlink, que permitiu um fluxo limitado de informações para o exterior.
Resistência e desafios tecnológicos
Em resposta, manifestantes tentaram neutralizar as câmeras de vigilância que o governo usa para monitorar e reprimir dissidentes. O Irã, junto com China e Rússia, possui um dos sistemas mais sofisticados de autoritarismo digital do mundo, com estratégias de vigilância, censura e propaganda para controlar a população.
Construção da narrativa estatal
O regime intensificou a propaganda para deslegitimar os protestos, associando-os a “terroristas” treinados por inimigos estrangeiros, como Estados Unidos e Israel. Líderes políticos iranianos reforçam essa narrativa para justificar a repressão e evitar a perda de apoio popular, buscando enquadrar a crise como uma ameaça externa, não como uma insatisfação interna com o governo.
Contexto e significado político
Esta crise representa um momento crítico para o Irã, com protestos que combinam liderança clara com uso intenso das redes sociais, diferentemente de movimentos anteriores mais fragmentados. O apagão digital e a repressão visam controlar não apenas as ruas, mas também o controle da informação e da percepção pública, com profundas implicações para o futuro político do país.
O cenário no Irã em 2026 exemplifica os desafios contemporâneos dos regimes autoritários diante de movimentos populares potencializados pela tecnologia, mostrando como a internet se tornou um campo de batalha estratégico entre governos e cidadãos.
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*Texto baseado em reportagem original de The Conversation, adaptado para análise aprofundada.





