Professor Vitelio Brustolin analisa estratégia iraniana de usar guerra simétrica para impactar a economia mundial

Especialista destaca que o Irã usa guerra simétrica para mostrar que ameaças ao país geram risco econômico global.
Estratégia do Irã para destacar risco econômico global em conflitos
O Irã intensifica sua abordagem ao usar a guerra simétrica como método para expor que ameaçar sua estabilidade acarreta um risco econômico global significativo. Conforme explica o professor Vitelio Brustolin, pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF) e de Harvard, essa tática vem sendo aplicada para fortalecer a posição iraniana no cenário internacional e influenciar adversários pelo impacto econômico decorrente.
Histórico do uso da guerra simétrica pelo Irã no Estreito de Ormuz
A estratégia iraniana tem precedentes marcantes, especialmente durante o conflito Irã-Iraque (1980-1988). Brustolin recorda que em 1988 o país posicionou minas navais no Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte global de petróleo, o que obrigou a Marinha Britânica a realizar operações complexas de desminagem. Ataques a petroleiros e à ilha de Kharg ilustram a capacidade do Irã em desestabilizar economicamente a região com recursos relativamente limitados.
Uso de armamentos de baixo custo para causar grandes danos econômicos
O professor ressalta que o Irã utiliza meios acessíveis para maximizar seu poder de dissuasão econômica. Minas navais são citadas como armas baratas e eficazes, com um arsenal estimado entre 2 mil e 6 mil unidades. Além disso, drones e outros equipamentos tecnológicos de custo reduzido são empregados para ampliar a pressão contra potências como Estados Unidos e Israel, que dispõem de orçamentos militares muito mais elevados.
Impactos econômicos e geopolíticos da estratégia iraniana
A tática iraniana eleva os custos de intervenções militares estrangeiras na região e influencia dinâmicas globais de segurança e economia. O professor Brustolin indica que o Pentágono já previa tais cenários, embora esperasse que a população iraniana reagisse de forma diferente ao regime, o que historicamente não ocorre sem presença de tropas. Assim, o conflito se torna custoso para os Estados Unidos e seus aliados, ampliando o alcance das consequências econômicas para o mundo inteiro.
Considerações finais sobre o risco econômico global e a estabilidade do Irã
A análise do professor evidencia que o Irã não apenas busca resistir a ameaças militares, mas também utilizar essas tensões para sinalizar a vulnerabilidade econômica global associada a sua instabilidade. Essa estratégia demonstra um entendimento aprofundado das interconexões entre segurança regional e economia internacional, revelando um jogo geopolítico complexo e de alta implicação para os interesses globais.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





