A situação crítica na foz do Rio Amazonas afeta comunidades ribeirinhas.
Com a seca e o assoreamento do Canal do Livramento, ribeirinhos no Amapá enfrentam isolamento, dificultando o acesso a serviços básicos.
A seca severa e o assoreamento do Canal do Livramento, na foz do Rio Amazonas, estão causando um isolamento crítico para as comunidades ribeirinhas no Amapá. O fenômeno, que já se tornou recorrente, impede que os moradores acessem serviços essenciais, como a escola e o transporte para atividades de pesca e trabalho.
Consequências da seca para as comunidades
As imagens relatadas por moradores mostram como áreas antes cobertas pelo rio se transformaram em lama e vegetação. Um habitante, em um vídeo, aparece atravessando a lama com uma mala em busca do rio, evidenciando a gravidade da situação. As comunidades afetadas incluem Ponta da Esperança, Capinal, Arraio, e muitas outras, que enfrentam dificuldades com o transporte fluvial devido ao estreitamento do canal, que não permite a passagem de barcos maiores em períodos de maré baixa.
A resposta do governo e ações de dragagem
O secretário de Transportes do Amapá, Marcos Jucá, informou que dragas estão trabalhando para alargar o canal e remover sedimentos que comprometem a navegação. O investimento de R$ 9 milhões do Governo Federal visa a dragagem e a recuperação da navegabilidade do Canal do Livramento, onde o assoreamento atinge até 11 quilômetros. As obras começaram em junho de 2025, e a expectativa é que a dragagem seja concluída em três meses, mas a eficácia do trabalho dependerá das condições climáticas futuras.
Durante essa semana, uma embarcação fez a entrega de 100 mil litros de água potável e 2.250 cestas básicas para a população do Bailique, parte das iniciativas de ajuda humanitária em resposta à crise.
A necessidade de monitoramento e soluções a longo prazo
Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (Iepa) alertam que a dragagem deve ser acompanhada por um monitoramento contínuo e um estudo sobre o balanço sedimentar, para evitar que o canal volte a assorear. O pesquisador Orleno Marques enfatiza a importância de entender como o material retirado do canal será redistribuído e sugere que, em alguns casos, pode ser necessário considerar a relocação das comunidades para garantir sua sobrevivência.
Os estudos indicam que o Bailique é uma região vulnerável às mudanças climáticas, e que alterações no regime de chuvas e do nível do mar podem intensificar os problemas enfrentados pelas comunidades ribeirinhas. Assim, a situação atual não é apenas um desafio imediato, mas uma questão que requer atenção contínua e soluções sustentáveis para o futuro.





