Jornalista de Ponta Grossa revela desigualdade em cemitérios da cidade

Eder Carlos Wehrholdt compara a última morada dos ricos e pobres em obra fotográfica

Jornalista de Ponta Grossa revela desigualdade em cemitérios da cidade
De um lado, covas rasas. Do outro, túmulos com escadas. Foto: Eder Carlos Wehrholdt.

Livro de jornalista de Ponta Grossa expõe desigualdade entre cemitérios São José e Vicentino, refletindo disparidade social na última morada.

A desigualdade em cemitérios de Ponta Grossa refletida no livro de Eder Carlos Wehrholdt

A desigualdade em cemitérios é o tema central do livro “Na cova rasa ou sob o mármore”, lançado pelo jornalista Eder Carlos Wehrholdt, de Ponta Grossa, no ano em que a Campanha da Fraternidade destaca a moradia como pauta social. A obra evidencia a disparidade entre o Cemitério São José, tradicional e historicamente adotado pelas famílias mais abastadas da cidade, e o Cemitério São Vicente de Paula (Vicentino), onde a maioria dos sepultados repousa em covas rasas e quase anônimas.

Wehrholdt destacou que o Vicentino não oferece os mesmos cuidados e reconhecimento às pessoas sepultadas, muitas vezes limitando-se a uma simples numeração nas covas. Em contrapartida, o São José ostenta túmulos ornamentados, com esculturas e manutenção constante, refletindo a história e a memória das famílias locais.

Detalhes da reportagem fotográfica que expõe a realidade dos cemitérios de Ponta Grossa

A reportagem fotográfica que compõe o livro resultou de um trabalho direto nos dois cemitérios, onde o fotógrafo capturou as diferenças gritantes. No Vicentino, a existência de covas rasas, frequentemente cobertas por terra vermelha e sem identificação adequada, contrastam com os mausoléus do São José, muitos deles com estátuas que custam o equivalente a veículos seminovos.

O autor relata a experiência impactante de visitar o Vicentino pela primeira vez, onde a falta de manutenção e o anonimato chocam, especialmente ao observar o descaso na conservação das sepulturas. No São José, o cenário é outro: espaços limpos, calçados, sem mato e com iluminação noturna garantem um ambiente digno e respeitoso.

Impactos sociais e simbólicos da disparidade na última morada dos ponta-grossenses

A disparidade entre os cemitérios transcende o aspecto físico e toca questões sociais e culturais profundas. Enquanto o São José preserva a memória e o prestígio das famílias históricas, o Vicentino representa a invisibilidade e a precariedade enfrentadas por grupos vulneráveis. A limitação do uso das covas no Vicentino a períodos curtos e a ausência de construções duradouras representam uma forma de exclusão simbólica.

Essa realidade revela como a morte e o respeito aos mortos ainda são atravessados por desigualdades sociais, com consequências para a preservação da história das pessoas e para o sentimento de pertencimento da comunidade.

Contexto da publicação e relação com a Campanha da Fraternidade sobre moradia

O lançamento do livro ocorre em um contexto onde a Campanha da Fraternidade foca na moradia como direito fundamental. O trabalho de Eder Carlos Wehrholdt integra essa discussão ao evidenciar que a desigualdade no acesso a um espaço digno não se limita à vida, mas também à morte.

A publicação, que foi desenvolvida como projeto de conclusão do Bacharelado em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e orientada pelo professor Carlos Alberto de Souza, contribui para ampliar o debate sobre justiça social e memória.

Disponibilidade e importância do livro para a memória de Ponta Grossa

“Na cova rasa ou sob o mármore” está disponível em formato PDF de acesso livre, possibilitando que a comunidade e pesquisadores tenham acesso ao conteúdo. A obra também foi divulgada no grupo Ponta Grossa Memória Viva no Facebook, espaço dedicado à preservação da história local.

O jornalista Eder Carlos Wehrholdt, com experiência em comunicação e jornalismo, utiliza seu conhecimento para provocar reflexões sobre desigualdades ainda presentes em nossa sociedade, mesmo nas últimas moradas dos cidadãos.