Juros elevados são o desafio principal da dívida pública, afirma Haddad

Ministro da Fazenda destaca redução do déficit e defende corte na taxa Selic

Fernando Haddad atribui problema da dívida pública aos juros elevados e não ao déficit, defendendo também a redução da taxa Selic.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista ao UOL News nesta segunda-feira (19) que o desafio principal da dívida pública brasileira está nos juros elevados, e não no déficit público, que vem apresentando queda significativa nos últimos anos.

Redução expressiva do déficit primário

Segundo Haddad, o governo conseguiu reduzir o déficit primário em 70% nos últimos dois anos, reforçando que o problema da dívida pública está relacionado ao patamar dos juros reais da economia — que é a taxa nominal descontada da inflação — e não ao excesso de gastos públicos. Ele destacou que a meta fiscal para 2026 será ainda mais rigorosa do que nos anos anteriores, sinalizando compromisso com o equilíbrio fiscal.

Juros Selic e espaço para cortes

O ministro opinou que há espaço para a redução da taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15%. Ainda que defenda esse corte, Haddad elogiou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pela condução responsável dos desafios enfrentados, especialmente na gestão do escândalo do Banco Master, que remonta à administração anterior.

Ampliação do papel do Banco Central

Além disso, Haddad comentou sobre uma proposta em discussão no Executivo para ampliar o perímetro regulatório do Banco Central, que hoje não supervisiona os fundos de investimento, função atribuída à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Para o ministro, a intersecção entre fundos e finanças tem impacto direto na contabilidade pública, justificando a necessidade de o Banco Central assumir essa fiscalização para aumentar a eficiência e transparência do sistema financeiro.

Política tributária e taxação dos mais ricos

Respondendo a críticas nas redes sociais que o apelidaram de “Taxad”, por aumentos tributários, Haddad declarou não se importar com o apelido e, pelo contrário, demonstrou satisfação em ser reconhecido pela taxação sobre offshores, fundos familiares fechados, paraísos fiscais e dividendos. Ele mencionou ainda a implementação da “taxação BBB” (banco, bet e bilionário), que trouxe maior justiça fiscal ao tributar setores que antes tinham menor carga tributária.

Perspectivas eleitorais e temas prioritários

Sobre as próximas eleições, Haddad afirmou que a economia não será fator decisivo para o resultado, nem no Brasil nem no mundo. Segundo ele, questões como segurança pública e combate à corrupção têm ganhado maior relevância nas preocupações dos eleitores, conforme apontam pesquisas recentes. O ministro também afirmou que não pretende candidatar-se a cargos públicos nas próximas eleições, mantendo conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem tomar uma decisão definitiva.