Decisão judicial suspende corte de 384 árvores para construção de empreendimento imobiliário em São Paulo
Decisão da Justiça suspende corte de 384 árvores em São Paulo, após protestos e preocupações ambientais.
Justiça paralisa derrubada de árvores no Butantã
Na última sexta-feira (28), a juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara da Fazenda Pública, decidiu que a construtora Tenda deve interromper a derrubada de 384 árvores na avenida Guilherme Dumont Villares, localizada no Butantã, zona oeste de São Paulo. A autorização para o corte havia sido concedida pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e as atividades foram iniciadas na quarta-feira (26).
Ação do Ministério Público e argumentação
A determinação judicial foi motivada pela manifestação do promotor Marcelo Ferreira de Souza Netto, do Ministério Público de São Paulo, que alertou sobre a falta de consulta pública no processo administrativo da obra. Ele contou com o apoio de deputados e vereadores do PSOL, que também expressaram preocupação com a preservação ambiental na região.
A juíza acolheu os argumentos sobre a irreversibilidade da derrubada das árvores e a necessidade de proteger o meio ambiente. O projeto previa a construção de quatro torres com 700 apartamentos, o que gerou protestos entre os moradores locais.
Compensação ambiental
Como parte da decisão, a construtora deverá plantar 221 mudas de espécies nativas na mesma região. Entretanto, o replantio só será realizado após o término das obras, que ainda não foram iniciadas. Além disso, a Tenda se comprometeu a doar aproximadamente R$ 2,5 milhões ao Fundo Especial de Meio Ambiente, valor que corresponde ao preço de 530 mudas de árvores.
Esse fundo é vinculado à Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente e permitirá que a prefeitura implemente melhorias em áreas verdes da cidade, como a criação de jardins em calçadas e parques.
Reação da construtora e protestos
Em resposta à decisão, a Tenda afirmou que o projeto do empreendimento Max Vila Sônia foi aprovado pela prefeitura e que o processo de aprovação respeitou as normas de compensação arbórea. No entanto, a decisão judicial e os protestos de moradores indicam uma crescente insatisfação com a autorização da derrubada de árvores.
No Alto da Lapa, um grupo de moradores, conhecido como ‘Salve o Bosque’, também protestou contra a derrubada de 118 árvores no Bosque dos Salesianos, que faz parte de um projeto de construção de prédios residenciais pela construtora Tegra. Essa situação ilustra um conflito significativo entre as necessidades de desenvolvimento urbano e a preservação do meio ambiente.
Conclusão
A decisão da Justiça de interromper a derrubada de árvores no Butantã reflete a crescente preocupação com a proteção ambiental em meio ao avanço do urbanismo. À medida que mais pessoas se mobilizam em defesa do verde, o desafio será encontrar um equilíbrio entre desenvolvimento e a conservação dos recursos naturais da cidade.





