Lácteos enfrentam crescimento moderado em 2026 diante de desafios do mercado

Setor lácteo deve equilibrar oferta e demanda com produção mais contida e preços estáveis em meio a cenário de incertezas e importações

Lácteos enfrentam crescimento moderado em 2026 diante de desafios do mercado
Produção de leite enfrenta desafios para equilibrar oferta e demanda em 2026

O crescimento moderado dos lácteos em 2026 reflete cautela diante da perda de rentabilidade e aumento das importações no setor brasileiro.

Contexto e perspectivas para o crescimento moderado dos lácteos em 2026

O crescimento moderado dos lácteos em 2026 reflete um período de cautela no setor devido às incertezas de mercado e à perda de rentabilidade dos produtores. Com uma projeção de crescimento do PIB em torno de 2% e consumo interno ainda retraído, a expectativa é que o segmento busque um reequilíbrio entre oferta e demanda. Natália Grogol, pesquisadora do Cepea, destaca que para esse reequilíbrio, a produção precisará crescer em ritmo mais moderado do que em 2025, quando o aumento foi de 7%. Essa moderação busca evitar o excesso de oferta que pressionou os preços e as margens do setor.

Impactos da oferta elevada e aumento das importações na rentabilidade

No ano de 2025, o setor lácteo experimentou um aumento expressivo da produção nacional que, combinado com o crescimento das importações, ampliou a oferta em um momento de demanda enfraquecida. A importação de aproximadamente 2 bilhões de litros de lácteos, que elevaram a participação de 1,5% para 9% do consumo, intensificou a concorrência no mercado interno. Consequentemente, os preços médios ao produtor registraram queda significativa, chegando a R$ 1,9966 por litro em dezembro de 2025, uma retração de quase 26% em relação ao ano anterior. Esse cenário afetou a rentabilidade dos produtores e da indústria, especialmente nos últimos trimestres do ano.

Estabilização de preços e custos com menor volatilidade no mercado de ração

Apesar do ambiente desafiador, o mercado de grãos apresenta sinais de menor volatilidade, o que pode contribuir para a estabilização dos custos de ração, um dos principais insumos para a produção de leite. Segundo a pesquisadora Natália Grogol, essa estabilidade nos custos poderá abrir espaço para margens um pouco melhores mesmo com receitas pressionadas. A previsão indica que os preços dos lácteos devem apresentar maior estabilidade a partir do terceiro trimestre de 2026, com possíveis picos de alta entre os meses de maio e agosto, quando ocorre tradicionalmente a redução da captação em fazendas extensivas.

Desafios para escoamento da produção e ambiente competitivo

O início de 2026 deve refletir os prejuízos acumulados no segundo semestre do ano anterior, especialmente para a indústria que iniciou o ano com estoques elevados. Geraldo Borges, presidente da Abraleite, destaca que o setor enfrenta o desafio de escoar a produção em um mercado competitivo, com a presença crescente de produtos importados. A necessidade de ajuste do volume produzido busca evitar novos desequilíbrios e preservar a sustentabilidade do setor diante do cenário econômico e comercial atual.

Histórico recente e o caminho para a retomada sustentável do setor lácteo

Após uma crise profunda em 2023, o setor lácteo brasileiro passou por um período de estabilização em 2024 que impulsionou a produção e a oferta. Contudo, a combinação do aumento da produção nacional, das importações e do consumo estagnado levou a um desequilíbrio no mercado interno em 2025, com redução das margens e queda dos preços. Para 2026, o setor aposta na moderação da produção e no controle dos custos para recuperar a rentabilidade e garantir a sustentabilidade. O mercado formal de leite no Brasil, estimado em cerca de 25 bilhões de litros anuais, mais 2 bilhões fora do sistema fiscalizado, continua sendo estratégico para a economia e o abastecimento alimentar do país.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br