Livro de meninas do Tatuquara reimagina bairro através da ficção

Projeto 'Cidades Imaginadas' transforma experiências infantis em narrativas literárias e celebra o potencial criativo das crianças

Livro de meninas do Tatuquara reimagina bairro através da ficção
Crianças participam de oficinas literárias e criativas no projeto. Foto: Maya — Crianças são incentivadas à criação literária. Foto: Maya

Seis meninas moradoras da região sul de Curitiba criam histórias que transformam seu bairro em universos imaginários, resultado de meses de experimentação literária e prática criativa.

Cidades Imaginadas

O lançamento de Cidades Imaginadas acontece nesta sexta-feira, 19 de junho, às 19h, na Administração Regional do Tatuquara, trazendo ao público as narrativas criadas por seis meninas moradoras da região sul de Curitiba durante meses de trabalho colaborativo entre educadores e crianças.

O projeto representa uma aposta deliberada em colocar a infância como agente protagonista do processo criativo. A Produtora Colorida construiu uma metodologia que não apenas incentiva crianças a escrever, mas as convida a olhar criticamente para seu próprio entorno e transformá-lo em matéria de ficção.

A metodologia que coloca crianças como autoras

Flávia Milbratz, uma das idealizadoras, explica que a proposta central foi criar espaços onde meninas pudessem imaginar, narrar e reinventar seus lugares de vivência. Para além da simples produção de textos, as participantes foram orientadas a exercer um olhar geográfico e afetivo sobre o território.

As experimentações literárias aconteceram através de oficinas estruturadas que combinavam práticas criativas com referências visuais. A educadora Maira Pires de Castro ressalta como ilustrações e palavras atuaram em conjunto: quadrinhos e livros ilustrados serviram de ponte para as autoras compreenderem que imagem e texto formam uma linguagem única na construção narrativa.

Tatuquara ressurge como cenário fantástico

Do processo colaborativo emergiu o que se poderia chamar de “Tatuquara Fantástico”—uma reconfiguração imaginária do bairro real, construída a partir das memórias, desejos e sonhos das jovens autoras. Alice Padilha, aos 13 anos, exemplifica essa transformação ao revelar como pesquisou a origem indígena do topônimo Tatuquara e criou uma narrativa de suspense localizada em seu próprio bairro.

Cada criança trouxe para as histórias suas vivências particulares e suas perspectivas únicas sobre o espaço urbano. O resultado não é um bairro descrito, mas um bairro imaginado, repleto de camadas simbólicas que pertencem apenas aos universos ficcionais criados pelas meninas.

Celebração pública e alcance digital

O lançamento do livro funciona como um ato de celebração e reconhecimento público do trabalho dessas crianças. Todas as seis autoras estarão presentes no evento, acompanhadas de familiares e comunidade interessada em conhecer as histórias produzidas.

A circulação do projeto não se limita ao formato impresso. Um audiobook será disponibilizado na plataforma Spotify, expandindo o acesso às narrativas e democratizando o contato com as vozes e imaginações das autoras.

Financiamento e políticas públicas de cultura

O projeto recebeu aprovação da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná e foi financiado através da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), vinculada ao Ministério da Cultura e Governo Federal. Esse apoio institucional reconhece a relevância de iniciativas que democratizam processos criativos e colocam populações historicamente marginalizadas—como crianças de bairros periféricos—no centro das políticas culturais.

Confira a programação do lançamento

Data: 19 de junho (sexta-feira)
Horário: 19h
Local: Administração Regional do Tatuquara, Rua Olivardo Konoroski Bueno, 100 – Tatuquara, Curitiba – PR, CEP 81470-390
Entrada: Gratuita
Público: Autoras, familiares, comunidade e interessados
Lançamento do audiobook: Disponível em breve na plataforma Spotify

O evento marca um reconhecimento importante de que a imaginação infantil não é apenas um patrimônio a ser preservado, mas um recurso criativo e crítico capaz de oferecer perspectivas renovadas sobre a cidade e o futuro que habitamos.