Lula apela à paz e critica corrida armamentista global

Presidente destaca desperdício de recursos com armas e cobra foco no combate à fome e no papel da ONU

Lula apela à paz e critica corrida armamentista global
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso na 39ª Conferência Regional da FAO. Foto: Agência Brasil

Lula condena a corrida armamentista e apela para que recursos sejam direcionados ao combate à fome, criticando o papel atual da ONU.

Lula denuncia desperdício bilionário na corrida armamentista em discurso na FAO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo contundente para que a comunidade internacional redirecione os recursos gastos na corrida armamentista para o combate à fome. Em sua fala na 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para América Latina e Caribe, realizada em 4 de março de 2026, Lula destacou a absurda quantia de US$ 2,7 trilhões investidos em armamentos no último ano. Ele ressaltou que esse valor poderia garantir mais de quatro mil dólares para cada uma das 630 milhões de pessoas que passam fome no planeta. O presidente destacou ainda a importância da região latino-americana como a única zona de paz no cenário atual.

Críticas ao Conselho de Segurança da ONU e aos gastos militares

Lula dirigiu um apelo direto aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas — França, Inglaterra, Rússia, China e Estados Unidos — para que priorizem a segurança alimentar em vez do fortalecimento militar. Ele alertou que o aumento dos gastos com armas, drones, bombas atômicas e aviões de caça contribui apenas para agravar os conflitos globais e prejudicar a produção e distribuição de alimentos. O presidente enfatizou que a lógica de “quem quer paz se prepara para a guerra” serve apenas para quem deseja o conflito, reforçando sua posição pacifista baseada na Constituição brasileira, que não permite armas nucleares.

Análise crítica da atuação da ONU e seus reflexos na paz mundial

No discurso, Lula também criticou a credibilidade da Organização das Nações Unidas, afirmando que a instituição está cedendo ao fatalismo dos “senhores das guerras” e falhando em cumprir seu papel de promover a paz. Ele questionou a ausência de uma conferência mundial para discutir os conflitos em curso e destacou a incoerência de discursos que exaltam o poderio militar em detrimento da capacidade de produção e distribuição de alimentos. A crítica incluiu o Conselho de Paz criado pelo governo dos Estados Unidos para a reconstrução da Faixa de Gaza, que Lula classificou como um gesto hipócrita após a destruição e mortes causadas na região.

Impacto das guerras no combate à fome e à segurança alimentar global

O presidente apontou que a fome mundial não é causada por fenômenos naturais, como mudanças climáticas extremas, mas por “excesso de irresponsabilidade” dos governantes eleitos para zelar pelo bem-estar da população. Ressaltou que os conflitos armados têm efeitos diretos na produção agrícola e no abastecimento alimentar, destruindo plantações e prejudicando regiões inteiras. Lula reforçou a necessidade urgente de repensar as prioridades globais, direcionando esforços para a paz e segurança alimentar, especialmente em um momento em que milhões de pessoas sofrem com a escassez de alimentos.

A região da América Latina como modelo de paz e o papel do Brasil

Enfatizando o papel da América Latina e do Brasil, Lula afirmou que a região representa um exemplo de paz em meio a tantos conflitos mundiais. Destacou que o Brasil optou, constitucionalmente, por não possuir armas nucleares, demonstrando compromisso com a convivência pacífica e o avanço da humanidade por meio da paz. O presidente concluiu que o investimento em armamentos não traz progresso social nem humano, apenas perpetua a violência e agrava as desigualdades, especialmente no acesso à alimentação.

Este discurso de Luiz Inácio Lula da Silva reforça a urgente necessidade de uma mudança global nas prioridades políticas e econômicas, priorizando a paz e a segurança alimentar sobre o aumento dos arsenais militares, e questiona o papel das instituições internacionais na promoção dessa agenda.