Lula condiciona cargos no governo a votos na base aliada

Presidente quer mudar lógica de distribuição de ministérios com PT negociando diretamente com dirigentes partidários, diferente de 2022.

Lula condiciona cargos no governo a votos na base aliada
Presidente Lula anuncia novas medidas para MEIs em cerimônia realizada no Palácio do Planalto em Brasília, DF Foto: Wagner Araújo/Estadão Conteúdo

Lula quer condicionar participação de partidos no governo ao compromisso de votos no Congresso. PT inicia rodada de negociações com PSB, PP, União Brasil, PSD e MDB.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer mudar a lógica de distribuição de cargos no governo e condicionar as negociações com os partidos ao compromisso de entregar votos no Congresso Nacional. Diferentemente de 2022, quando parte dos ministérios foi negociada diretamente com indicações da Câmara e do Senado, o presidente agora construirá acordos com os dirigentes partidários.

O presidente do PT, Edinho Silva, iniciou uma primeira rodada de conversas com partidos de direita e centro-esquerda, entre eles PSB, PP, União Brasil, PSD e MDB. O recado do Planalto é que a participação no governo deverá estar acompanhada de apoio à agenda legislativa.

Em contrapartida, os partidos querem participar da formulação da política programática do governo. A avaliação é que, no mandato anterior, os acordos de votação se concentraram principalmente na agenda econômica, enquanto temas que dividiam a coalizão ficaram sujeitos a negociações pontuais.

Há também reclamações sobre a busca por hegemonia do PT nas decisões do governo. Lula já sinalizou a intenção de formar um governo mais ao centro, o que deverá se refletir na distribuição dos ministérios.

O tamanho das bancadas, os apoios eleitorais e o comportamento dos partidos no Congresso entrarão na negociação. O PSD, comandado por Gilberto Kassab, é visto como um dos partidos que poderão ampliar espaço, inclusive com pastas de maior peso, apesar da neutralidade mantida na disputa presidencial recente.