Lula defende governança global da inteligência artificial na Índia

Presidente destaca papel da ONU para um modelo multilateral e inclusivo na Cúpula em Nova Délhi

Lula defende governança global da inteligência artificial na Índia
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso na Cúpula em Nova Délhi Foto: Agência Brasil

Na Cúpula em Nova Délhi, Lula defende governança global da inteligência artificial liderada pela ONU para garantir desenvolvimento e ética.

O contexto da cúpula sobre inteligência artificial em Nova Délhi

Na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial realizada em Nova Délhi, Índia, no dia 19 de fevereiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a necessidade urgente de uma governança global da inteligência artificial (IA) liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU). A governança global da inteligência artificial, segundo Lula, é estratégica para enfrentar os desafios éticos, políticos e sociais decorrentes da rápida evolução da Quarta Revolução Industrial, que avança enquanto o multilateralismo sofre retrocessos significativos.

A posição de Lula sobre a liderança da ONU na governança da IA

Lula destacou que, embora existam iniciativas internacionais para a cooperação em IA, como a proposta chinesa de criar uma organização focada em países em desenvolvimento e a Parceria Global em Inteligência Artificial do G7, nenhuma substitui o papel universal e inclusivo das Nações Unidas. Para o presidente, a ONU é a única entidade capaz de promover uma governança multilateral que respeite a diversidade das trajetórias nacionais e oriente o desenvolvimento tecnológico em benefício de todos os países, reforçando a soberania e a democracia.

Impactos positivos e negativos da inteligência artificial apontados por Lula

No discurso, Lula ressaltou que a revolução digital e a inteligência artificial trazem avanços significativos para a produtividade industrial, melhorias nos serviços públicos, medicina, segurança alimentar e energética. Entretanto, também alertou para os riscos associados, como a propagação de discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil e feminicídio, que podem ser amplificados por tecnologias de IA. Ele enfatizou que conteúdos falsos e manipulados por IA ameaçam processos eleitorais e põem em risco a integridade democrática dos países.

Desafios éticos e políticos da revolução tecnológica em escala global

O presidente lembrou que toda inovação tecnológica de grande impacto apresenta um caráter dual, que impõe desafios não apenas técnicos, mas também éticos e políticos para as sociedades. Segundo Lula, os algoritmos que sustentam o mundo digital não podem ser vistos apenas como códigos matemáticos, pois impactam diretamente na coesão social, na democracia e nas relações internacionais, demandando uma governança que garanta direitos e valores universais.

O Processo de Bletchley e a continuidade das discussões internacionais

A Cúpula em Nova Délhi integra o quarto encontro do Processo de Bletchley, uma série de reuniões intergovernamentais iniciadas em Bletchley Park, no Reino Unido, em novembro de 2023, com o objetivo de abordar segurança e governança da inteligência artificial. Essa agenda internacional busca estabelecer parâmetros e acordos para o desenvolvimento responsável e seguro da IA, estimulando a cooperação entre países e grupos econômicos para enfrentar desafios comuns.

A defesa de Lula por uma governança global da inteligência artificial sob a liderança da ONU reforça a importância de se criar mecanismos multilaterais que assegurem a soberania dos países e o fortalecimento da democracia diante das rápidas transformações tecnológicas.