Presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirma que decisão sobre mandato para STF cabe ao Legislativo, independentemente das disputas recentes entre os poderes
Lula defende mandato para ministros do STF e destaca que decisão deve ser discutida pelo Congresso, afastando relação com recentes tensões institucionais.
Mandato para ministros do STF: o que propõe Lula para 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o estabelecimento de mandato para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em entrevista concedida em 5 de fevereiro de 2026. A proposta visa limitar o tempo de permanência na Corte, evitando que um nome indicado jovem fique até os 75 anos, situação que Lula considera “não justa”. Segundo o presidente, a decisão sobre essa mudança deve ser tomada pelo Congresso Nacional, de forma independente das recentes tensões políticas, como o julgamento da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
Lula lembrou que a ideia do mandato já integrava o programa de campanha do PT em 2018, durante a candidatura de Fernando Haddad, indicando que a discussão não é novidade e faz parte de um processo necessário de atualização institucional. “Tudo precisa mudar e nada está livre de mudança”, afirmou, ressaltando a importância de um debate amplo e democrático acerca do tema.
Contexto político e impacto das decisões do STF
O presidente destacou a relevância da independência do STF em momentos críticos da história recente do país. Ele citou o julgamento relacionado ao episódio de 8 de janeiro de 2023, quando houve uma tentativa de golpe contra as instituições democráticas, ressaltando que a Corte resistiu a pressões externas, incluindo do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para Lula, esse episódio reforça a respeitabilidade e o valor inestimável das instituições brasileiras.
Além disso, o atual momento político traz questionamentos sobre a atuação de alguns membros do tribunal, especialmente diante das investigações envolvendo fraudes no Banco Master. Essas situações geram debates públicos sobre a condução e a transparência do STF, que busca fortalecer sua credibilidade interna com medidas como a elaboração de um Código de Ética para magistrados, iniciativa anunciada pelo presidente do tribunal, Edson Fachin.
Critérios para nomeação e renovação no Supremo Tribunal Federal
Lula também abordou a importância de critérios rigorosos para a escolha dos novos ministros do STF. Ele defende que os indicados possuam conhecimento jurídico sólido e compromisso claro com o cumprimento da Constituição Federal, garantindo que a Corte mantenha seu papel fundamental na defesa da democracia e do Estado de Direito.
O presidente indicou recentemente o advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar a vaga deixada pela aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, ocorrida em outubro do ano anterior. A indicação aguarda o envio formal ao Senado para que seja realizada a sabatina e posterior aprovação, conforme o rito institucional.
Papel do Congresso na reforma institucional do STF
A proposta de instituir mandato para ministros do STF ressalta a importância do Congresso Nacional como protagonista no processo de reforma institucional. Lula enfatiza que qualquer modificação na estrutura do Supremo deve ser fruto de amplo debate legislativo, garantindo legitimidade e equilíbrio entre os Poderes.
Essa posição busca afastar interpretações de que a discussão sobre mandato estaria relacionada a conflitos recentes ou à influência de episódios específicos na política brasileira. A ideia é promover uma reflexão estruturada sobre o funcionamento da Corte e suas implicações para o sistema democrático.
Medidas para fortalecer a integridade do Supremo Tribunal Federal
Frente às críticas e desafios enfrentados pelo STF, a Corte anunciou iniciativas para preservar sua integridade e confiança pública. A criação de um Código de Ética para magistrados, liderada pela ministra Cármen Lúcia, surge como resposta a demandas por maior transparência e responsabilidade na atuação dos julgadores.
Essas medidas refletem o esforço para consolidar a independência do tribunal enquanto órgão guardião da Constituição, assegurando que suas decisões sejam pautadas pelo direito e não por pressões externas ou internas. A discussão sobre mandato para ministros pode ser vista como parte desse contexto mais amplo de aperfeiçoamento institucional.





