Lula diz que miliciano não cabe no Palácio do Planalto

Presidente fez crítica durante campanha no Rio, dias após revelação de emenda de Flávio Bolsonaro a miliciano

Lula diz que miliciano não cabe no Palácio do Planalto
Lula discursa em ato de campanha no Rio de Janeiro em 18 de setembro. Foto: Mauro Pimentel / AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que não cabe representação de miliciano no Palácio do Planalto durante ato em São Gonçalo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (24) que não cabe representação de miliciano no Palácio do Planalto durante ato de campanha em São Gonçalo (RJ).

“Da mesma forma que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, no Palácio do Planalto não cabe a representação de miliciano lá dentro. É importante ter claro o que está em jogo no dia 4 de outubro”, declarou o presidente.

O ato contou com a presença do candidato ao governo do estado Eduardo Paes (PSD). Lula iniciou o discurso repetindo a fala sobre soberania que integrou sua apresentação na Assembleia Geral das Nações Unidas na terça-feira (22). Naquela ocasião, afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”, em referência a investidas do governo dos Estados Unidos, chefiado por Donald Trump, com sanções econômicas e inclusão de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas internacionais.

A afirmação do presidente ocorre dias após revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, destinou uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil para um projeto esportivo a pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, miliciano condenado por envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco. A informação foi divulgada na terça-feira (22).

A emenda foi negociada em 2023 entre Peixe e Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar no gabinete de Flávio no Senado. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o dinheiro foi desviado. A PF encontrou mensagens de WhatsApp trocadas entre Peixe e Maria de Fátima no celular do miliciano, apreendido quando começou a ser investigado pela morte de Marielle, em 2024.

Flávio Bolsonaro afirmou, por meio de sua assessoria, que “a emenda foi destinada dentro da legislação vigente”.

Marielle e seu motorista Anderson Gomes foram mortos em 2018. Peixe foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em fevereiro deste ano a 9 anos de prisão e à perda do cargo de policial militar reformado. Ele foi acusado de ser o elo entre os executores do assassinato e os mandantes, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio e ex-deputado federal, respectivamente.