Presidente embarca para Nova Délhi com comitiva para discutir inteligência artificial e parcerias comerciais
Lula viaja para a Índia nesta terça-feira após agenda intensa de Carnaval, liderando comitiva de ministros e empresários para fortalecer parcerias comerciais e tecnológicas.
Lula viagem Índia marca avanço em inteligência artificial e comércio internacional
A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, iniciada nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, destaca um momento estratégico para o Brasil. Após o agitado tour de Carnaval por Recife, Salvador e Rio de Janeiro, Lula embarcou acompanhado de uma ampla comitiva formada por 10 ministros e 315 empresários, evidenciando o foco do governo em fortalecer a presença brasileira no cenário global, especialmente nas áreas de inteligência artificial (IA), minerais críticos e agronegócio.
O presidente ficará na Índia até o dia 22 de fevereiro, participando de uma visita oficial de Estado e da primeira cúpula global dedicada à IA com participação brasileira em alto nível. O encontro em Nova Délhi reunirá cerca de 40 mil participantes de 50 países, incluindo líderes de gigantes tecnológicos como Microsoft, Google e OpenAI. O Brasil, ao lado do Japão, assumirá papel de destaque ao copresidir um grupo de trabalho no evento, reforçando sua aposta estratégica na tecnologia e inovação.
Comitiva ministerial reforça foco em temas estratégicos para o Brasil
A composição da comitiva presidencial demonstra a transversalidade das áreas de interesse na visita. Entre os ministros que acompanham Lula estão Alexandre Padilha (Saúde), Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Frederico Siqueira (Comunicações), Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar). Além disso, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, integra a delegação, reforçando a importância regional e econômica da viagem.
A agenda prevê debates sobre minerais estratégicos, mobilidade, transição energética, saúde, farmacêutica e segurança alimentar, refletindo a intenção do governo brasileiro de diversificar e consolidar parcerias multilaterais com foco em desenvolvimento sustentável e inovação tecnológica.
Participação empresarial e a ampliação dos acordos comerciais
Com a presença de 315 empresários brasileiros, 77 dos quais ligados ao agronegócio, a viagem reforça o interesse do setor privado em expandir relações comerciais com a Índia. O Fórum Empresarial Brasil-Índia, organizado pelo Ministério das Relações Exteriores e pela ApexBrasil, contará com mais de 300 empresas inscritas, discutindo temas que vão desde a indústria de minerais estratégicos até a inovação agrícola.
Durante a visita, será inaugurado o escritório de representação da ApexBrasil em Nova Délhi, ação que simboliza o compromisso do Brasil em fortalecer sua presença comercial na Ásia. Também serão anunciados avanços nas negociações para ampliar o acordo comercial entre Mercosul e Índia, além da extensão da validade dos vistos de negócios e turismo de cinco para dez anos, facilitando intercâmbios e investimentos.
Relações bilaterais e cooperação estratégica com a Índia
A viagem presidencial também serve para aprofundar relações diplomáticas, retribuindo a visita do primeiro-ministro indiano Narendra Modi ao Brasil em julho de 2025. Lula e Modi já se reuniram quatro vezes durante o atual mandato, consolidando um diálogo constante e produtivo.
Na Índia, será divulgada uma parceria entre a Embraer e a multinacional Adani Defense and Aerospace, demonstrando a convergência em setores estratégicos de tecnologia e defesa. Essa cooperação reflete a intenção do Brasil de diversificar seus parceiros internacionais e aumentar sua participação em cadeias globais de valor.
Próximo destino: Coreia do Sul e sua importância para o agronegócio brasileiro
Após a Índia, Lula seguirá para a Coreia do Sul em 22 de fevereiro, onde realizará sua primeira visita de Estado ao país. A agenda sul-coreana inclui reuniões oficiais, assinatura de um plano de ação trienal para fortalecer o relacionamento bilateral e participação no Fórum Empresarial Brasil-Coreia, com 230 empresas brasileiras confirmadas.
Entre os temas prioritários está a abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina brasileira, um setor de grande importância econômica para o Brasil, que atualmente não possui acordo para exportar esse produto à Coreia do Sul. O país asiático importa principalmente da Austrália e Nova Zelândia, o que representa uma oportunidade estratégica para o agronegócio brasileiro expandir suas exportações.
Impactos esperados da viagem para a presença global do Brasil
Este giro pela Ásia, com foco em tecnologia, comércio e cooperação bilateral, demonstra uma estratégia clara do governo Lula para reposicionar o Brasil no cenário internacional. A combinação de participação em eventos globais de inteligência artificial, negociações comerciais e parcerias empresariais evidencia um esforço coordenado para integrar o país às cadeias globais de inovação e mercado.
Além disso, a viagem sinaliza uma nova fase nas relações exteriores brasileiras, com ênfase em multilateralismo, diversificação econômica e fortalecimento do agronegócio, setores essenciais para o crescimento sustentável e a geração de empregos no Brasil. O resultado dessas agendas poderá influenciar políticas públicas e investimentos futuros, consolidando o país como um ator relevante na geopolítica econômica mundial.





