Presidente brasileiro sugere assento para Palestina e reforma no Conselho de Segurança da ONU em conversa com presidente dos EUA
Lula propõe a Trump mudanças no Conselho da Paz, incluindo assento para Palestina e foco em Gaza, além de discutir reforma do Conselho de Segurança da ONU.
O presidente Lula manteve uma importante conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na manhã de segunda-feira, 26 de janeiro, onde apresentou propostas que sinalizam uma potencial reconfiguração da atuação do Conselho da Paz, colegiado criado e presidido pelo estadunidense.
Propostas para o Conselho da Paz
Lula sugeriu que o conselho inclua um assento para a Palestina, reconhecendo a importância de sua representação no órgão. Além disso, propôs que o conselho limite suas discussões aos temas relacionados especificamente à Faixa de Gaza. Essa sugestão indica uma tentativa de focalizar a atuação do conselho em uma área geopolítica crítica, possivelmente para garantir maior efetividade nas negociações e decisões.
Reforma na Organização das Nações Unidas
Durante a conversa, Lula também reforçou a necessidade de uma reforma ampla na ONU, especialmente visando a ampliação do número de membros permanentes do Conselho de Segurança. Essa posição já é conhecida do presidente brasileiro, que defende que o atual formato do Conselho está defasado e não representa adequadamente a diversidade política mundial.
Lula foi convidado a integrar o Conselho da Paz, mas ainda não respondeu formalmente ao convite. Em evento recente em Salvador, ele criticou a proposta de criação do conselho como uma tentativa de “criar uma nova ONU” para que seja controlada pelos Estados Unidos.
Diálogo sobre a Venezuela e segurança regional
Os presidentes também abordaram a situação na Venezuela, com Lula enfatizando a importância da manutenção da paz no continente. Essa reafirmação indica a continuidade da política brasileira de buscar soluções pacíficas para os conflitos regionais.
Além disso, Lula propôs o fortalecimento da cooperação bilateral no combate ao crime organizado, incluindo repressão à lavagem de dinheiro, tráfico de armas, congelamento de ativos de grupos criminosos e intercâmbio de dados financeiros. Segundo o Palácio do Planalto, Trump recebeu essas propostas positivamente.
Relações econômicas e encontros recentes
No diálogo, Lula e Trump destacaram a melhoria das relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos, que tem gerado impactos positivos para toda a região. Trump ressaltou que o crescimento econômico dos dois países beneficia a América Latina como um todo.
Os presidentes se encontraram presencialmente pela primeira vez em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, quando houve uma breve interação. Posteriormente, se reuniram em outubro, na 47ª Cúpula da ASEAN, na Malásia, onde tiveram uma conversa considerada “muito positiva” pelo chanceler brasileiro Mauro Vieira. Após esse encontro, os Estados Unidos eliminaram a sobretaxa de 40% sobre diversos produtos brasileiros.
Visita futura aos Estados Unidos
A conversa telefônica, que durou cerca de 50 minutos, culminou no acordo para uma futura visita de Lula aos Estados Unidos. Ainda não foi definida a data, mas a expectativa é que a viagem ocorra após a agenda presidencial na Índia e na Coreia do Sul, programada para fevereiro.
Essa visita poderá consolidar as propostas apresentadas, além de abrir espaço para aprofundar a cooperação bilateral e as discussões sobre a reforma do sistema internacional de segurança.





