Presidente da Colômbia e outros líderes repudiam nova versão da Doutrina Monroe contra a Venezuela
Gustavo Petro lidera manifesto que critica ataque dos EUA à Venezuela, apontando retrocesso na soberania regional e violações do direito internacional.
Contexto do ataque dos EUA à Venezuela e sua repercussão na América Latina
O ataque dos EUA à Venezuela, ocorrido recentemente, reacendeu debates sobre a soberania e a influência externa na América Latina. No cenário atual, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, figura central nesta discussão, ao lado do Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, que juntos, assinaram um manifesto que denuncia o ataque dos EUA à Venezuela como uma nova versão da Doutrina Monroe. Essa doutrina historicamente serviu para justificar intervenções dos Estados Unidos na região, e, segundo os intelectuais, ressurgiu com uma lógica que ignora as normas internacionais e legitima a força como instrumento de poder.
Análise dos principais intelectuais envolvidos no manifesto e suas críticas
Além de Gustavo Petro e Adolfo Pérez Esquivel, o manifesto conta com o apoio de outros intelectuais como o economista Jeffrey Sachs, a historiadora Aviva Chomsky e o sociólogo Boaventura de Sousa Santos. Eles caracterizam a intervenção como uma “obscena demonstração de impunidade perante qualquer lei”, indicando que a ação dos EUA representa uma quebra na ordem internacional. O texto critica a tradicional prática de eufemismos diplomáticos e humanitários que mascaravam intervenções, agora substituída pela afirmação direta do uso da força.
A nova Doutrina Monroe e suas implicações para a soberania regional
O manifesto classifica as operações e ameaças de intervenção como uma nova versão não só da Doutrina Monroe, mas também da Doutrina de Segurança Nacional, comparando-as ao conceito do “espaço vital” usado pelo Terceiro Reich. Essa analogia destaca a gravidade da estratégia, que desconsidera as normas do direito internacional e reforça a ideia de que a América Latina é vista como uma “fronteira selvagem”. Os signatários alertam que o que ocorre na Venezuela não é um caso isolado, mas um ensaio para futuras ações semelhantes, corroendo gradualmente o respeito à soberania nacional na região.
Repercussão política e o silêncio da comunidade internacional
Os autores do manifesto criticam a falta de reação efetiva da comunidade internacional diante das agressões contra a Venezuela. Eles destacam que crimes, atos de guerra e violações de soberania que seriam inaceitáveis em outros contextos são tratados como “medidas preventivas” ou “assistência para estabilidade” na América Latina. Essa falta de sanções efetivas envia a mensagem de que tais ações podem ser legitimadas, transformando uma exceção em regra e minando o sistema jurídico internacional.
Consequências para a América Latina e a importância do posicionamento regional
O manifesto defende que apoiar a Venezuela é reafirmar que a América Latina não pode ser vista como quintal, zona de sacrifício ou fronteira de controle de potências externas. Essa rejeição das intervenções é fundamental para preservar a autonomia regional, a estabilidade política e o respeito às regras internacionais. A iniciativa liderada por Gustavo Petro e outros intelectuais propõe um posicionamento firme contra a violência e a hegemonia, buscando fortalecer a soberania dos países latino-americanos frente a pressões externas.





