Manutenção de Carla Zambelli gera tensão no STF e entre parlamentares

Decisão da Câmara dos Deputados acende alerta sobre desrespeito à Justiça

Manutenção de Carla Zambelli gera tensão no STF e entre parlamentares
Deputada Carla Zambelli. Foto: Igo Estrela/Metrópoles — Foto: Igo Estrela/Metrópoles @igoestrela

Decisão da Câmara que manteve mandato de Zambelli preocupa ministros do STF e pode ter desdobramentos.

Manutenção de Carla Zambelli gera tensão no STF

A decisão da Câmara dos Deputados, ocorrida em 11 de dezembro de 2025, que manteve o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP) acendeu um sinal de alerta entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A manutenção do mandato é vista como uma afronta à decisão da Corte, que já havia condenado a parlamentar a 10 anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A preocupação dos ministros se deve não apenas ao desrespeito a uma decisão judicial, mas também aos desdobramentos que essa situação pode gerar. A decisão foi aprovada com 227 votos a favor e 110 contra, com 10 abstenções, mas para que a perda do mandato ocorresse eram necessários 257 votos. Assim, a representação contra Zambelli foi arquivada.

Consequências da decisão da Câmara

Carla Zambelli, que se encontra presa na Itália após fugir do Brasil, foi condenada pelo STF e, como consequência de sua condenação, não pode exercer o mandato que lhe foi conferido. No entanto, a Câmara dos Deputados, em uma decisão polêmica, decidiu pela manutenção de seu cargo. Essa situação levanta questões sobre a integridade do processo legislativo e o respeito às decisões judiciais.

Além de Zambelli, outros parlamentares também enfrentam condenações e podem ter seus mandatos avaliados. O deputado Alexandre Ramagem, por exemplo, também está foragido e condenado, o que aumenta a preocupação sobre o efeito dominó que essa decisão pode provocar entre os membros do Congresso.

Ação do PT contra a decisão

O Partido dos Trabalhadores (PT) já anunciou que irá acionar o STF por meio de um mandado de segurança para reverter a decisão da Câmara. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, criticou a condução do tema pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), alegando que houve desobediência a uma ordem judicial.

A decisão da Câmara não levou em conta o parecer da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, que recomendava a perda do mandato de Zambelli. O deputado Claudio Cajado (PP-BA), relator do parecer, questionou a viabilidade de uma pessoa presa em regime fechado exercer um mandato parlamentar, ressaltando a necessidade de presença e participação nas atividades legislativas.

O futuro da deputada e a legislação

A condenação de Zambelli foi proferida por unanimidade pela Primeira Turma do STF em maio de 2025. A deputada foi condenada por crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica, além de ter sido imposta uma multa de dois mil salários-mínimos e a obrigação de indenizar em R$ 2 milhões por danos materiais e morais coletivos. De acordo com a legislação, ela está inelegível desde a condenação e por um período de oito anos após o cumprimento de sua pena.

A situação atual gera um clima de incerteza e tensão entre os membros do STF e do Congresso, levantando questões sobre a necessidade de uma ação clara por parte da Corte para garantir o respeito às suas decisões e a integridade do sistema jurídico brasileiro.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Igo Estrela/Metrópoles @igoestrela