O cantor apresenta show especial sobre 'Canta Canta, Minha Gente' no festival Psica em Belém.

Martinho da Vila revisita seu álbum 'Canta Canta, Minha Gente', considerado o melhor disco de samba.
Martinho da Vila homenageia ‘Canta Canta, Minha Gente’ no festival Psica
O renomado sambista Martinho da Vila traz de volta seu aclamado álbum ‘Canta Canta, Minha Gente’, considerado por ele o melhor disco de samba já feito. O evento acontece no Estádio Mangueirão, em Belém, como parte do festival Psica, que ocorre entre os dias 12 e 14 de dezembro. Este disco, lançado originalmente em 1974, é um marco na música popular brasileira e completou 50 anos no ano passado, embora suas comemorações tenham sido discretas.
O impacto de ‘Canta Canta, Minha Gente’ na música brasileira
Em uma conversa descontraída, Martinho, aos 87 anos, reflete sobre a importância do álbum. Ele admite que, em um primeiro momento, poderia ter sido mais cauteloso em suas afirmações, mas reafirma que realmente acredita que este foi o melhor disco de samba, ressaltando a qualidade da produção e a profundidade das composições. O álbum introduziu inovações ao gênero, incluindo gravações em 16 canais, o que era raro na época.
Produção e sonoridade inovadora
O disco trouxe uma sonoridade rica e encorpada, que diferia dos álbuns de samba anteriores, geralmente compostos apenas por violão e cavaquinho. Martinho destaca o trabalho do produtor Rildo Hora e a colaboração de músicos talentosos, como Rosinha de Valença. O cuidado na produção se reflete na diversidade dos arranjos e nas composições que se tornaram clássicas, como ‘Disritmia’ e ‘Renascer das Cinzas’.
Desafios e censura durante a ditadura militar
Além de sua contribuição musical, ‘Canta Canta, Minha Gente’ também enfrentou desafios. Martinho recorda como a música ‘Disritmia’ foi censurada pela ditadura militar devido ao uso da palavra “porre”. Ele visitou os censores pessoalmente para discutir a letra e conseguiu a liberação, destacando a importância do diálogo e da resistência pacífica em tempos difíceis. Ao abordar temas sociais em suas músicas, ele também se posicionou em relação à luta dos povos indígenas, refletindo sobre a realidade brasileira.
A relevância contínua do álbum
Mais de cinco décadas após seu lançamento, ‘Canta Canta, Minha Gente’ continua a ressoar na cultura brasileira. O álbum não apenas celebra a identidade do samba, mas também incita reflexões sobre a sociedade. Martinho expressa seu desejo de que sua música inspire as novas gerações e mantenha viva a essência do samba.
Show no festival Psica
O festival Psica promete ser uma grande celebração da música, com Martinho da Vila liderando o line-up ao lado de outros artistas renomados. Os ingressos estão disponíveis a partir de R$ 125, com acesso gratuito para pessoas trans e PCDs. Este evento não é apenas uma oportunidade de reviver um clássico, mas também uma chance de apreciar a música que moldou a história cultural do Brasil.
Martinho da Vila, com sua trajetória rica e influente, continua a ser uma voz poderosa na música brasileira, e seu álbum ‘Canta Canta, Minha Gente’ permanece uma obra-prima atemporal que merece ser celebrada.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Eduardo Anizelli/Folhapress





