Marty Supreme sul-americano e a cultura do tênis de mesa

A trajetória de Marty Reisman inspira a cena do tênis de mesa em Buenos Aires, refletindo um universo além do esporte corporativo

Marty Supreme sul-americano e a cultura do tênis de mesa
Encontro de praticantes de tênis de mesa em Buenos Aires. Foto: Hernán Reig

Marty Supreme sul-americano destaca a influência de Marty Reisman no tênis de mesa e sua conexão com a cena cultural de Buenos Aires.

O filme “Marty Supreme” estreou recentemente em São Paulo, trazendo a biografia do nova-iorquino Marty Reisman (1930-2012), multicampeão americano e personalidade marcante do tênis de mesa na década de 1950. Apesar de sua produção ter sido criticada por não explorar profundamente o potencial artístico da história, a vida de Reisman oferece um rico panorama sobre a cultura do esporte fora dos padrões tradicionais.

Marty Reisman: além das quadras

Marty Reisman destacou-se não só pela excelência técnica, mas pela autoconfiança e estilo de vida incomuns para a época. Aprendeu o tênis de mesa nas ruas, disputando partidas por dinheiro desde os 12 anos, em locais como o Lawrence’s Broadway Table Tennis Club. Sua trajetória combinou habilidades circenses com talento esportivo, chegando a integrar um grupo de exibições comparável aos Harlem Globetrotters entre 1949 e 1951.

A influência de Reisman na América do Sul

Inspirado por Reisman, o portenho Hernán Reig mantém viva a chama do tênis de mesa em Buenos Aires e arredores. Sem carreira profissional, Reig abraçou o esporte após uma vida dedicada às artes visuais e à música popular. Sua atuação inclui promover encontros culturais que combinam música e partidas de tênis de mesa, criando espaços comunitários e ressignificando a atividade como expressão cultural.

Tênis de mesa como prática cultural e resistência

Em São Paulo, o clube Piratininga, próximo ao Largo da Batata, demonstra como o tênis de mesa atrai multidões, remetendo ao ambiente urbano de Manhattan nos tempos de Reisman. Essa cena evidencia o esporte como mais do que um lazer corporativo ou uma metáfora simplista de redenção: é um território de experimentação social, identidade e narrativa pessoal.

O distanciamento das estruturas corporativas

Marty Reisman criticava o conceito de “propósito” apropriado pelas corporações, indicando que para ele essa ideia era mais uma maldição do que uma bênção. Essa visão ecoa na experiência de Reig, que evitou carreiras convencionais e construiu seu próprio caminho artístico e esportivo, valorizando a liberdade e a autenticidade que o tênis de mesa oferece.

O tênis de mesa como legado cultural

O convite de Hernán Reig para ensinar tênis de mesa às filhas do autor, usando o próprio chão do apartamento como mesa, simboliza a simplicidade e a paixão que sustentam o esporte longe dos grandes palcos. As raquetes improvisadas remetem às pioneiras técnicas de Hiroji Satoh, lembrando que inovação e tradição podem conviver em espaços pequenos e cotidianos.

O retrato de Marty Reisman e sua influência sul-americana revelam que o tênis de mesa transcende sua dimensão competitiva. É também uma ferramenta de conexão cultural, resistência e criatividade nas cidades modernas.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Hernán Reig