Estado lança estratégia até 2040 para aumentar área de florestas plantadas e reduzir uso da madeira nativa na indústria

Mato Grosso reconhece que supressão vegetal não atende demanda por biomassa nas usinas de etanol e lança plano para ampliar florestas plantadas até 2040.
Mato Grosso reconhece limite da supressão vegetal para biomassa nas usinas
O estado do Mato Grosso, maior produtor de etanol de milho, enfrenta um desafio crescente: a supressão vegetal não dá conta de garantir biomassa para usinas de etanol. Em evento realizado no início de 2026, a secretária de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, destacou que a demanda por biomassa nas caldeiras das usinas está aumentando exponencialmente, tornando inviável o uso contínuo da madeira originária da supressão da vegetação nativa.
Plano estadual para ampliar florestas plantadas até 2040
Para enfrentar esse cenário, Mato Grosso lançou um plano estratégico que visa ampliar a produção de biomassa para uso industrial, com horizonte até 2040. O projeto prevê aumentar a área de florestas plantadas de aproximadamente 200 mil hectares para 700 mil hectares, focando no cultivo de espécies como o eucalipto, cuja produção é considerada mais sustentável. Essa expansão busca garantir o abastecimento das usinas de etanol e reduzir a dependência da madeira nativa.
Debate sobre o uso da madeira nativa nas caldeiras das usinas
A utilização da madeira nativa proveniente da supressão vegetal tem gerado controvérsia ambiental e legal. Em 2025, o Ministério Público abriu inquérito para investigar possíveis ilegalidades no consumo de madeira por indústrias, incluindo usinas de etanol de milho. Apesar disso, a Procuradoria-Geral do Estado entende que o Código Florestal não restringe especificamente a utilização dessa biomassa pelas indústrias. No entanto, a secretária Lazzaretti afirma que, do ponto de vista estratégico e sustentável, o uso dessa madeira não é viável a longo prazo.
Sustentabilidade e metas de descarbonização alinhadas ao plano
O planejamento estadual inclui uma fase de transição que incorpora ações relacionadas a programas de descarbonização, com objetivo de eliminar a supressão de vegetação até 2035. Com cerca de 60% do território ainda intacto, o Mato Grosso possui grande potencial para manejo florestal sustentável, tanto em áreas de floresta quanto no Cerrado. Além disso, áreas degradadas ou com capacidade produtiva reduzida apresentam oportunidades para reflorestamento e produção de biomassa.
Impactos para o setor industrial e perspectivas futuras
O crescimento das usinas de etanol no estado requer soluções sustentáveis para garantir a oferta contínua de biomassa. Atualmente, Mato Grosso conta com dez usinas de etanol de milho, com diversos projetos em desenvolvimento para os próximos anos. O plano para ampliar florestas plantadas busca assegurar esse crescimento industrial sem comprometer a sustentabilidade ambiental, protegendo a vegetação nativa e alinhando o setor produtivo às metas ambientais do país.
O plano estadual evidencia o desafio de conciliar expansão econômica e preservação ambiental, destacando a importância do planejamento estratégico para o futuro do setor de etanol e da bioenergia no Mato Grosso.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Usina de processamento para etanol de milho • Divulgação





