IBPT aponta que ações governamentais impedem aceleração dos preços, mas ainda não revertam elevação estrutural dos combustíveis em 2026

IBPT alerta que medidas do governo seguram alta dos combustíveis, mas não reduzem preços elevados registrados em 2026.
Medidas do governo atuam como freio para preços dos combustíveis em 2026
As medidas do governo têm funcionado como um “freio de mão” para o aumento dos preços dos combustíveis em 2026, segundo relatório do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Apesar de impedir que os valores continuem subindo de forma descontrolada, essas ações não conseguem fazer com que os preços voltem aos níveis observados em janeiro, antes da escalada provocada por fatores internacionais, como a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT, destaca que a política tributária, embora importante, não é suficiente para enfrentar o problema estrutural do custo da energia neste ano.
Impacto da guerra entre EUA e Irã na escalada dos preços do diesel e gasolina
Desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, os preços do diesel sofreram um salto dramático em março de 2026. As primeiras semanas de abril indicam uma desaceleração nesse ritmo, com até pequenas quedas em algumas regiões, reflexo da absorção do choque inicial pelas distribuidoras que passaram a utilizar estoques reguladores para evitar desabastecimento.
A gasolina, entretanto, não apresentou recuo, consolidando os aumentos recentes, enquanto o etanol registra deflação em quatro das cinco regiões do país, beneficiado pelo início da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul.
Disparidade regional expõe vulnerabilidades logísticas do Brasil
Os dados do IBPT evidenciam uma fragmentação no mercado brasileiro de combustíveis. Enquanto o Centro-Sul consegue amenizar a crise com o uso de biocombustíveis, as regiões Norte e Nordeste enfrentam aumentos mais expressivos, refletindo carências em infraestrutura como cabotagem e refinarias regionais.
No Nordeste, por exemplo, o diesel acumulou alta de 28,37%, enquanto no Sul e Sudeste os aumentos foram menores, em torno de 19%. Já a gasolina subiu mais de 11% no Norte e Nordeste, contra cerca de 6% no Sul e Sudeste.
Gilberto Luiz do Amaral ressalta que a alta no Nordeste é sintoma de um mercado que ainda não dispõe de mecanismos eficazes para proteger essas regiões contra choques externos de grande magnitude.
Efeito das medidas tributárias do governo para conter alta do diesel
Para amenizar a escalada dos preços do diesel, o governo federal anunciou cortes nos tributos e uma subvenção à importação do combustível, com apoio dos estados. Essas ações buscam reduzir o impacto dos preços internacionais sobre o mercado interno, funcionando como amortecedores, mas ainda insuficientes para reverter a alta atual.
Essas medidas impedem aumentos verticais e descontrolados, mas o custo de reposição permanece elevado e incerto, exigindo que as distribuidoras mantenham estoques de segurança para evitar desabastecimento, sobretudo em regiões mais distantes dos portos.
A importância da diversificação energética e desafios futuros
O comportamento distinto do etanol frente aos derivados de petróleo indica que a diversificação da matriz energética pode ser uma estratégia eficaz para mitigar os efeitos de choques externos. O biocombustível apresentou queda de preços em várias regiões, associada à safra e menor influência das variações cambiais e do petróleo.
No entanto, para regiões carentes em infraestrutura, como Norte e Nordeste, a dependência do diesel e da gasolina expõe a vulnerabilidade a flutuações internacionais. Investimentos em cabotagem, refinarias regionais e logística são essenciais para reduzir essa dependência e garantir maior estabilidade aos preços dos combustíveis no futuro.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





