Uma seleção dos destaques cênicos do ano, segundo especialistas.

Críticos e jornalistas destacam as melhores peças de teatro de 2025, refletindo a diversidade e a inovação nas artes cênicas.
O cenário teatral em 2025
O ano de 2025 foi repleto de desafios para as artes cênicas no Brasil. Com a demolição de espaços tradicionais e a luta de companhias para se manterem ativas, o teatro enfrentou uma crise palpável. No entanto, a capacidade de inovação e a resiliência da classe artística se destacaram, levando ao surgimento de peças que surpreenderam pela qualidade e relevância social.
Inovações e desafios
Dentre as dificuldades enfrentadas, o despejo de companhias como o Teatro de Contêiner e a tensão entre a Prefeitura de São Paulo e o Theatro Municipal foram alguns dos principais obstáculos. Apesar disso, produções como “Lady Tempestade”, uma das mais comentadas do ano, e “Senhora dos Afogados”, a primeira grande montagem do Teatro Oficina após a morte de seu criador, José Celso Martinez Corrêa, mostraram que a arte pode prosperar mesmo em tempos conturbados.
As melhores peças de 2025
Para destacar o que há de melhor nas artes cênicas, a Folha reuniu críticos e jornalistas especializados que selecionaram suas cinco montagens favoritas do ano. Confira a lista e o que cada uma trouxe de inovador e impactante:
1. Senhora dos Afogados
Direção: Monique Gardenberg
A tragédia de Nelson Rodrigues é reinterpretada pela Companhia Teatro Oficina, que utiliza uma estética de coro multitudinário para explorar a decadência da família Drumond. A abordagem privilegia a “ópera de carnaval”, ampliando as tensões sociais e sexuais da obra original, e integra a plateia ao drama moral.
2. (Um) Ensaio sobre a Cegueira
Direção: Rodrigo Portella
Esta adaptação da obra de José Saramago pelo Grupo Galpão marca uma transição de uma estética lúdica para uma encenação mais confinada e densa. A montagem utiliza a privação sensorial e o desenho de som para traduzir a experiência da “cegueira branca”, tornando-se uma poderosa alegoria sobre o colapso social.
3. Lady Tempestade
Direção: Yara de Novaes
Andrea Beltrão brilha ao interpretar o impacto da ditadura militar através dos diários de Mércia Albuquerque. A peça conecta as dores do passado com as violências atuais, utilizando uma narrativa íntima e poderosa que ressoa com o Brasil contemporâneo.
4. Eddy – Violência & Metamorfose
Direção: Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky
A Polifônica Cia. realiza uma forte crítica à masculinidade tóxica e à pobreza, através da autoficção brutal de Édouard Louis. A peça propõe um teatro político que reflete sobre a realidade brasileira sem recorrer ao panfletarismo.
5. Não Me Entrego, Não!
Direção: Flávio Marinho
Neste solo, Othon Bastos compartilha histórias de sua trajetória de vida, incluindo seu trabalho no cinema novo, proporcionando uma reflexão sobre a memória e o legado cultural, tudo isso com humor e emoção.
Conclusão
O teatro brasileiro em 2025 se mostrou resiliente e inovador, mesmo diante de crises. As peças selecionadas não apenas entretêm, mas também provocam reflexões sobre questões sociais e históricas, mantendo viva a chama da arte em um contexto desafiador.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Divulgação





