Menções ao Banco Central crescem 464% e ganham tom negativo desde novembro

Estudo revela aumento expressivo e mudança no sentimento das citações ao Banco Central nas redes sociais entre novembro de 2023 e janeiro de 2024

Menções ao Banco Central crescem 464% e ganham tom negativo desde novembro
Logotipo do Banco Central em destaque

Menções ao Banco Central aumentaram 464% desde novembro, com sentimento negativo crescendo de 35% para 82% até janeiro, aponta pesquisa inédita.

Crescimento expressivo nas menções ao Banco Central entre novembro e janeiro

As menções ao Banco Central aumentaram 464% nas redes sociais entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, segundo estudo da consultoria Timelens. Esse aumento expressivo no volume de citações coincidiu com mudanças significativas no tom das mensagens, que se tornaram predominantemente negativas. O levantamento foi realizado para o Hora H e identificou que, enquanto em novembro 35% das menções tinham caráter negativo, esse índice saltou para 57% em dezembro e chegou a 82% nos primeiros dias de janeiro.

Análise das narrativas e atores envolvidos na disseminação de conteúdo

O estudo detalha que as narrativas negativas contra o Banco Central foram propagadas principalmente por perfis que não possuem histórico de cobertura econômica, como páginas de fofoca e influenciadores populares. Essa estratégia permitiu alcançar um público muito amplo, uma vez que pesquisas indicam que 70% dos brasileiros nas redes sociais seguem páginas desse tipo. Atos de ataque foram direcionados especialmente a membros da diretoria do Banco Central, como Renato Gomes, que encerrou seu mandato em 31 de dezembro.

Comparação com menções ao Banco Master e seu impacto midiático

Em paralelo, as menções ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, também aumentaram, mas em ritmo bem menor (42%). As narrativas em torno do Banco Master foram mais favoráveis, retratando a instituição como inovadora e como um desafio aos grandes bancos tradicionais, sob uma lógica de “Davi contra Golias”. Apesar disso, o sentimento negativo nas menções ao Banco Master permaneceu relativamente estável no período analisado.

Estratégias de produção e disseminação de conteúdo nas redes sociais

As mensagens contra o Banco Central envolveram ataques diretos, críticas às suas ações reguladoras e o uso de termos como “precipitação do Banco Central” para sugerir risco sistêmico. A produção de memes e conteúdos agressivos foi amplamente distribuída por influenciadores com milhões de seguidores, um fator fundamental para o alcance das mensagens. Conforme destacado pelo cientista político Renato Dolci, essa foi uma estratégia bem estruturada para influenciar o debate público.

Implicações para o cenário econômico e institucional brasileiro

O aumento das menções e a mudança para um tom predominantemente negativo refletem um cenário de pressão e contestação sobre o Banco Central em meio a decisões regulatórias relevantes. A disseminação de informações por perfis não especializados levanta questões sobre a qualidade do debate público e o impacto dessas narrativas na percepção da população sobre instituições essenciais à estabilidade econômica do país.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br