Mendonça retoma fluxo ordinário nas perícias do caso banco Master

Ministro André Mendonça autoriza retomada das perícias e depoimentos da Polícia Federal, revertendo medidas restritivas anteriores

Mendonça retoma fluxo ordinário nas perícias do caso banco Master
André Mendonça durante sessão no STF

André Mendonça determina retomada do fluxo ordinário de perícias e depoimentos no caso Banco Master, revertendo restrições da relatoria anterior.

Retomada do fluxo ordinário de perícias no caso Banco Master

O ministro André Mendonça autorizou, dias após assumir a relatoria do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), a retomada do fluxo ordinário de perícias e depoimentos realizados pela Polícia Federal (PF). Essa decisão, tomada em janeiro de 2026, marca uma reversão significativa das medidas restritivas que vinham sendo aplicadas à investigação, aumentando a autonomia dos peritos e investigadores da PF. Mendonça ressaltou que a adoção do fluxo ordinário deve respeitar o sigilo e a funcionalidade dos procedimentos, garantindo a compartimentação adequada das informações.

Impactos da decisão para a Polícia Federal e andamento das investigações

A retomada do fluxo ordinário de perícias concede maior liberdade operacional à Polícia Federal, que enfrenta a tarefa de analisar cerca de 100 dispositivos eletrônicos relacionados ao caso Banco Master. Segundo Mendonça, as extrações consideradas mais urgentes foram realizadas em caráter excepcional para evitar a perda de conteúdo sensível, mas o andamento normal das diligências agora está autorizado. A medida tem potencial para acelerar o trabalho investigativo, ao permitir a custódia, análise e extração de dados conforme os normativos internos da PF, sem as restrições previamente impostas.

Reversão das medidas impostas pela relatoria anterior de Dias Toffoli

A decisão de Mendonça representa uma mudança de direção em relação às determinações do ex-relator Dias Toffoli, que em janeiro havia determinado que bens e documentos apreendidos fossem lacrados e armazenados diretamente no STF. Além disso, Toffoli havia indicado quais peritos da PF poderiam realizar as análises e decidido que as informações dos celulares apreendidos fossem encaminhadas para a Corte, medidas que geraram críticas e repercussão negativa. Com a nova relatoria, essas imposições foram afastadas, restabelecendo práticas consideradas mais alinhadas com a autonomia institucional da Polícia Federal.

Redução do nível de sigilo e seus desdobramentos no processo

Outro ponto relevante da decisão de Mendonça foi a redução do nível de sigilo das investigações do Banco Master, que passou do nível máximo (4) para o nível padrão (3). Essa alteração impacta diretamente a forma como as informações são acessadas e compartilhadas, restringindo o conhecimento apenas às autoridades e agentes envolvidos diretamente na condução dos procedimentos. Tal medida visa equilibrar a transparência necessária com a preservação do sigilo profissional, evitando interferências indevidas e garantindo a confidencialidade do processo.

Desafios e perspectivas para a continuidade das investigações no STF

A retomada do fluxo ordinário de perícias e depoimentos abre caminho para uma condução mais ágil e eficiente do caso Banco Master, mas também impõe desafios institucionais na gestão do sigilo e da integridade das investigações. A decisão de Mendonça enfatiza a necessidade de se respeitar os princípios da funcionalidade e da preservação do sigilo, ao mesmo tempo em que confere maior autonomia à Polícia Federal, reforçando a importância do equilíbrio entre controle judicial e operacionalidade investigativa. A expectativa é que essa postura contribua para o avanço das apurações com maior segurança jurídica e institucional.