Mercado registra volatilidade após anúncios de gastos públicos, diz analista

Juros futuros ultrapassam 13% novamente após série de medidas de ampliação de gastos do governo brasileiro

Mercado registra volatilidade após anúncios de gastos públicos, diz analista
Governo prevê remanejar R$ 20 bi do orçamento para pacote de bondade

Analista Rita Mundim afirma que a semana será marcada por volatilidade, com reversão de ganhos anteriores devido a anúncios de gastos públicos.

A semana será marcada pela volatilidade dos ativos brasileiros, segundo análise de especialista. Após o primeiro turno das eleições, as taxas futuras de juros de médio e longo prazo recuaram mais de 100 pontos-base, refletindo uma reprecificação positiva do mercado. “O nome dessa semana é volatilidade”, afirmou Rita Mundim.

Na semana imediatamente posterior ao primeiro turno, houve reprecificação expressivamente positiva dos ativos brasileiros. Os juros mais longos, que estavam acima de 14%, chegaram a se aproximar da barreira dos 12%. A Bolsa atingiu 210 mil pontos, enquanto o dólar caiu para R$ 4,95.

O cenário mudou radicalmente na semana seguinte com a divulgação de uma série de anúncios de gastos públicos. O governo anunciou benefícios para microempreendedores individuais, votação sobre o fim da escala 6×1, um “pé de meia” para professores e universitários, além do reajuste antecipado do Bolsa Família.

“É coisa demais para um país pagar”, avaliou Rita Mundim. Essa série de medidas impactou o ponto mais frágil da economia brasileira: o fiscal.

Com mais gastos sendo anunciados, parte dos ganhos anteriores foi revertida. A Bolsa recuou para a faixa de 204 a 205 mil pontos. O dólar subiu para R$ 5,05. Os juros futuros dos contratos de 2028, 2029 e 2030, que haviam se aproximado dos 12%, voltaram a romper a barreira dos 13% para cima.

Análise sobre propostas eleitorais também apontam pressão fiscal. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mencionado pela analista aponta que o fim da escala 6×1 poderia provocar queda de 0,7 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB), com impacto de até 1,2 ponto percentual no setor de serviços. A folha de pagamentos das empresas poderia crescer, em média, 22%, pressionando especialmente o setor de serviços, maior empregador do país.

Incertezas sobre inflação e equilíbrio das contas públicas permanecem, lançando dúvidas sobre a sustentabilidade do movimento de queda dos juros. A semana se encerra com a divulgação da prévia da inflação de outubro, dado que “é uma realidade e deve cutucar as decisões do Banco Central”, segundo Rita Mundim.