Protestos no Irã já causaram mais de 500 mortes e enfrentam forte reação do governo

Milhares defendem regime iraniano em atos que lamentam agentes mortos em protestos marcados por violência e repressão.
Manifestantes no Irã defendem o regime e homenageiam agentes mortos em protestos
Milhares defendem regime e participaram de um ato fúnebre em Teerã nesta segunda-feira (12), segundo a mídia oficial iraniana. O protesto ocorre em meio a uma onda de manifestações que já deixou mais de 500 mortos desde o final de dezembro, conforme dados de uma ONG de direitos humanos. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian e o presidente do Parlamento Mohammad Baqer Qalibaf foram figuras centrais na mobilização, convocando a população para uma “marcha de resistência” contra o que chamam de violência perpetrada por “criminosos terroristas urbanos”.
Contexto dos protestos e resposta do governo iraniano
Os protestos começaram como reação à alta do custo de vida, mas rapidamente ganharam corpo contra o regime teocrático vigente há mais de 45 anos. O presidente Pezeshkian reconheceu as preocupações populares, porém criticou os manifestantes violentos, classificando-os como arruaceiros que perturbam a sociedade. Ele afirmou que o governo tem tentado resolver os problemas dos cidadãos, mas acusa os Estados Unidos e Israel de estarem por trás dos atos de sabotagem. O presidente do Parlamento, em discurso na Praça Enqelab, afirmou que o Irã enfrenta uma guerra multifacetada: econômica, psicológica, militar e anti-terrorista.
Impactos da crise e dados sobre violência e repressão
Segundo relatórios, 53 mesquitas e 180 ambulâncias foram incendiadas durante os protestos, inclusive a Mesquita Abuzar em Teerã, que foi saqueada e danificada. A ONG Hrana contabiliza 538 mortes desde 28 de dezembro, com 490 manifestantes e 48 membros das forças de segurança mortos. Mais de 10 mil pessoas estariam presas. O regime não divulgou números oficiais sobre os confrontos. A repressão é conhecida por sua severidade, especialmente diante de manifestações periódicas desde a Revolução Islâmica de 1979, que instituiu um sistema ultraconservador com restrições, principalmente às mulheres.
Reações e acusações de envolvimento estrangeiro
Autoridades iranianas classificam os protestos violentos como ações orquestradas por agentes externos, principalmente EUA e Israel. As lideranças ressaltam que os manifestantes violentos e sabotadores não representam a população legítima, destacando que nenhum iraniano atacaria mesquitas, buscando legitimar a repressão como defesa da ordem religiosa e social. Essa narrativa reforça a ideia de uma guerra híbrida contra o país, usada para justificar medidas duras contra os manifestantes.
Perspectivas e evolução do conflito interno no Irã
O cenário atual apresenta um país polarizado entre demandas sociais crescentes e uma resposta governamental rígida. A continuidade dos protestos pode agravar ainda mais a crise econômica e política, enquanto o regime busca apoio em mobilizações públicas para manter o controle. A situação no Irã permanece volátil, com elevado risco de novas ondas de violência e instabilidade, refletindo um momento delicado para a estabilidade regional e para os direitos humanos no país.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: via Reuters





