Após alegações de fraudes, forças armadas depõem presidente e suspendem processo eleitoral
Militares de Guiné-Bissau afirmam ter deposto o presidente e fechado fronteiras após eleição contestada.
Militares tomam poder em Guiné-Bissau após eleição contestada
Na quarta-feira (26), um grupo de militares do Exército de Guiné-Bissau declarou ter tomado o poder, deposto o presidente Umaro Sissoco Embaló e suspendido o processo eleitoral, que estava sob suspeita de fraudes. O anúncio foi feito na televisão estatal pelo porta-voz Diniz N’Tchama, que também afirmou que as fronteiras foram fechadas e um toque de recolher imposto.
A ação dos militares ocorre um dia antes da divulgação prevista dos resultados de uma eleição presidencial que gerou controvérsias. Embaló, que tentava se tornar o primeiro presidente a conquistar um segundo mandato consecutivo em três décadas, confirmou o golpe em entrevista à emissora France 24, afirmando: “Fui deposto.”
Os oficiais formaram o “Alto Comando Militar pela Restauração da Ordem” e afirmaram que permanecerão no poder até novo aviso. O paradeiro de Embaló é desconhecido, e não há informações sobre sua possível detenção. A situação gera incertezas sobre o apoio dos militares dentro das Forças Armadas e a segurança no território de cerca de 2 milhões de habitantes.
Contexto da instabilidade política
Este golpe militar é o mais recente episódio em um histórico de instabilidade na Guiné-Bissau, que já sofreu pelo menos nove golpes ou tentativas de golpe desde a independência de Portugal em 1974. O país é conhecido como um ponto estratégico para o tráfico de cocaína, o que aumenta a complexidade da situação política.
O comunicado militar alega que a decisão de assumir o poder foi uma resposta a um “plano de desestabilização” orquestrado por políticos nacionais e barões da droga. Tiros foram ouvidos nas proximidades da sede da comissão eleitoral e do palácio presidencial antes do anúncio, mas não há relatos de vítimas até o momento.
A comissão eleitoral estava programada para anunciar os resultados provisórios da eleição, realizada no domingo, onde Embaló e seu principal rival, Fernando Dias, haviam declarado vitória. Um porta-voz de Embaló acusou homens armados de tentarem impedir a divulgação dos resultados, insinuando uma ligação com o rival político, mas sem apresentar provas concretas.
Reações internacionais e futuro político
O governo de Portugal já se manifestou, pedindo o fim da violência e a retomada do processo eleitoral. O Ministério das Relações Exteriores português fez um apelo para que as instituições do país voltem a funcionar, garantindo que a contagem e a proclamação dos resultados eleitorais sejam concluídas.
Historicamente, o tráfico de drogas tem se intensificado sob o governo de Embaló, e um relatório recente indicou que essa atividade criminosa poderia estar mais lucrativa do que nunca no país. Em uma apreensão significativa, a polícia judiciária confiscou 2,63 toneladas de cocaína em um avião vindo da Venezuela, o que evidencia a gravidade da situação.
À medida que a Guiné-Bissau entra em mais um capítulo turbulento de sua história, a comunidade internacional observa atentamente, preocupada com as implicações para a segurança regional e a estabilidade política do país.





