A decisão ocorreu um dia após a suspensão do processo eleitoral e a deposição do presidente Umaro Sissoco Embaló
Após um golpe, militares de Guiné-Bissau empossam general como líder interino, suspendendo o processo eleitoral.
Militares de Guiné-Bissau anunciam nova liderança após golpe
No dia 27 de novembro de 2025, os militares da Guiné-Bissau informaram sobre a nomeação do general Horta N’Tam como presidente interino, após um golpe de Estado que resultou na deposição do presidente Umaro Sissoco Embaló. A interrupção do processo eleitoral e o fechamento das fronteiras foram algumas das medidas anunciadas pela junta militar.
O general Horta N’Tam, até então chefe do Estado-Maior do Exército, prestou juramento no quartel-general das Forças Armadas e declarou: “Guiné-Bissau atravessa um período muito difícil da sua história. As medidas que se impõem são urgentes, importantes e requerem a participação de todos”. A nomeação foi feita pelo grupo que se autodenomina “Alto Comando Militar para a Restauração da Ordem”.
Contexto do Golpe e suas Consequências
A situação no país se agravou após a deposição de Embaló, que ocorreu um dia antes da divulgação dos resultados de uma eleição presidencial contestada. Tanto o presidente deposto como o opositor Fernando Dias de Costa reivindicavam a vitória, levando a um ambiente de tensão política. Tiros foram ouvidos nas proximidades da sede da comissão eleitoral, do palácio presidencial e do Ministério do Interior, criando um clima de temor na capital, Bissau.
Embaló, que telefonou para veículos de comunicação afirmando ter sido deposto, ainda se encontra em paradeiro desconhecido, e a junta militar não esclareceu se ele está sob custódia. A União Africana condenou o golpe e pediu a liberdade imediata de Embaló e de outros funcionários detidos.
Reações Internacionais
A comunidade internacional, incluindo chefes de Estado da Cedeao, manifestou preocupação com a situação política em Guiné-Bissau. A Cedeao e a União Africana exigem a liberação de todos os detidos e uma rápida restauração da ordem constitucional. O ex-presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, que estava no país como observador eleitoral, também se encontra em situação de incerteza, sem informações sobre seu paradeiro.
O Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores do Brasil, expressou sua preocupação com a suspensão das eleições e apelou para que as forças políticas retomem o diálogo pacífico. O Brasil disponibilizou assistência consular aos cidadãos brasileiros no país.
Críticas ao Governo Anterior
Fernando Dias de Costa, o opositor que contestou a vitória de Embaló, acusou o presidente deposto de encenar um golpe para interromper o processo eleitoral por temer a derrota. A coalizão que apoia Dias também exigiu a divulgação dos resultados da votação presidencial, além da libertação do ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, que foi detido pela junta militar.
Conclusão
Guiné-Bissau, um pequeno país entre Senegal e Guiné, já viveu várias crises políticas e golpes desde sua independência em 1974. O novo governo militar enfrenta agora a tarefa de restaurar a ordem e a confiança da população, em meio a um clima de incerteza e repressão. A situação continua a ser monitorada pela comunidade internacional, que teme um agravamento da crise.





