Alexandre Silveira ressalta riscos à soberania nacional e limitações constitucionais em cooperação mineral entre estados e países

Ministro de Minas e Energia critica acordo mineral EUA-Goiás e alerta para risco à soberania e competências da União sobre recursos minerais.
Contexto da crítica ao acordo mineral EUA-Goiás e suas implicações
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, criticou nesta sexta-feira (27) o acordo mineral EUA-Goiás, alertando para riscos à soberania nacional e ressaltando que a União detém competência exclusiva sobre recursos minerais críticos e estratégicos. Silveira destacou a importância dos dados geológicos como bens da União, apontando que estados não podem alienar ou conceder exclusividade a nações estrangeiras, o que, segundo ele, configura violação da soberania.
Aspectos legais e constitucionais do memorando de entendimento
No artigo publicado pelo ministro, o foco maior foi sobre o regime de levantamento de dados geológicos do território nacional, especialmente dos minerais críticos. O memorando de entendimento firmado entre Goiás e os Estados Unidos prevê cooperação para mapeamento geológico e exclusividade comercial após apuração conjunta dos dados. Entretanto, conforme Silveira, as Unidades da Federação não possuem competência para compartilhar ou alienar esses bens, indicando uma usurpação da competência da União conforme a Constituição.
Posicionamento do governo de Goiás e a estratégia estadual
O governo de Goiás, em resposta, defende que o acordo foi estruturado com rigor jurídico e respeita a divisão constitucional de competências. O estado afirma que atua nas esferas próprias, como concessão de incentivos fiscais, criação de fundos e zonas especiais de desenvolvimento, além da cooperação técnica e institucional com parceiros estrangeiros. Assim, Goiás sustenta que não houve violação legal, indicando um modelo de atuação estadual para atração de investimentos em minerais críticos.
Reações do setor privado e impacto nas parcerias comerciais
No setor privado, a assinatura do acordo foi interpretada como um indicativo da disposição dos Estados Unidos em estabelecer parcerias diretas com estados e empresas brasileiras, mesmo sem a mediação formal do governo federal. Projetos já negociam contratos de fornecimento de minerais com empresas estrangeiras por meio de offtakes, que garantem vendas futuras em troca de financiamentos. Essas negociações são essenciais para viabilizar empreendimentos intensivos em capital, como os de terras raras, estratégicas para cadeias produtivas do Ocidente.
Perspectivas de acordo federal mais amplo e alinhamento estratégico Brasil-EUA
Paralelamente, o governo federal discute em sigilo um acordo mais amplo com os Estados Unidos para o setor mineral, que provavelmente seguirá o formato de memorando de entendimento, sem cláusulas de exclusividade. O objetivo político é sinalizar alinhamento estratégico para reorganização das cadeias produtivas ocidentais. Um possível desdobramento é a criação de mecanismos para estabilizar preços de minerais nas negociações bilaterais, reduzindo volatilidade e fortalecendo a segurança para investimentos de longo prazo.
Considerações finais sobre soberania e desenvolvimento mineral
A controvérsia em torno do acordo mineral EUA-Goiás revela tensões entre competências federais e estaduais e o desafio de equilibrar soberania nacional com a necessidade de atrair investimentos estratégicos. O debate destaca o papel do Serviço Geológico do Brasil na proteção dos dados geológicos e a importância de um marco regulatório claro para garantir que parcerias internacionais respeitem a Constituição e os interesses nacionais. O setor mineral permanece como área-chave para o desenvolvimento econômico, exigindo diálogo e coordenação entre os diferentes entes federativos e atores internacionais.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Ricardo Stuckert / P





