Ministério da Saúde suspende incorporação da vacina herpes-zóster no SUS

Decisão baseia-se em avaliação da Conitec que aponta alto custo e impacto financeiro insustentável para o sistema público

Ministério da Saúde suspende incorporação da vacina herpes-zóster no SUS
Profissional de saúde aplica vacina em idoso em unidade básica de saúde. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Ministério da Saúde não incorporará vacina herpes-zóster ao SUS devido a custos elevados apontados pela Conitec.

Análise da decisão do Ministério da Saúde sobre a vacina herpes-zóster

O Ministério da Saúde anunciou a decisão de não incorporar a vacina herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS), conforme portaria publicada no Diário Oficial da União. A decisão decorre do relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que avaliou o imunizante e concluiu que seu custo é elevado diante do impacto orçamentário projetado.

A vacina herpes-zóster é indicada para idosos com 80 anos ou mais e para imunocomprometidos acima dos 18 anos. O comitê responsável reconheceu sua importância para a prevenção da doença, mas ressaltou que o preço atual impede uma adoção sustentável no SUS. Estima-se que vacinar anualmente 1,5 milhão de pacientes custaria cerca de R$ 1,2 bilhão, com um investimento total de R$ 5,2 bilhões em cinco anos, valor considerado não custo-efetivo.

Impacto financeiro e avaliação da Conitec

O relatório detalha os custos previstos para vacinação da população alvo e destaca que o valor total requerido para implementação seria alto para os recursos disponíveis do SUS. A Conitec sugere negociações para redução de preços, mas, por ora, a incorporação foi suspensa. A portaria permite que a matéria seja revista caso ocorram mudanças relevantes que alterem o balanço econômico e clínico da vacina.

Contexto clínico do herpes-zóster e a importância da prevenção

Herpes-zóster é causado pela reativação do vírus varicela-zóster, que permanece no organismo após a catapora. Idosos e pessoas com baixa imunidade são mais vulneráveis. Os sintomas incluem queimação, coceira, febre e lesões características que acompanham trajetos nervosos. Embora a condição geralmente se resolva espontaneamente, pode resultar em complicações graves, afetando pele, sistema nervoso, olhos e ouvidos.

Tratamento atual disponível no SUS

O SUS oferece tratamento sintomático para casos leves, com medicamentos para alívio da dor, febre e coceira, e orientações específicas para cuidados com a pele. Para pacientes com maior risco de agravamento, como idosos e imunocomprometidos, é recomendado o uso de antivirais como o aciclovir para controle da infecção e prevenção de complicações.

Dados epidemiológicos e relevância para a saúde pública

Entre 2008 e 2024, foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações devido ao herpes-zóster no Brasil. O número de óbitos pela doença no país entre 2007 e 2023 foi de 1.567, com taxa de mortalidade de 0,05 por 100 mil habitantes. A maioria dos falecimentos ocorreu em pessoas com 50 anos ou mais, especialmente nos idosos acima de 80 anos, reforçando a vulnerabilidade desse grupo.

A decisão do Ministério da Saúde ressalta a complexidade de equilibrar os benefícios clínicos da vacina com os custos financeiros para o sistema público, destacando que a incorporação de novas tecnologias depende não apenas da eficácia, mas também da viabilidade econômica e do impacto orçamentário para o SUS.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Fonte: Paulo Pinto/Agência Brasil