Ministério Público denuncia cinco pessoas por cárcere privado em clínica do Paraná

Investigação aponta que 72 mulheres eram internadas contra vontade e submetidas a castigos e trabalho forçado em Terra Roxa

Ministério Público denuncia cinco pessoas por cárcere privado em clínica do Paraná
A Operação Aurora foi conduzida pela Promotoria de Justiça de Terra Roxa. Foto: MPPR — 1 de 2
A Operação Aurora foi conduzida pela Promotoria de Justiça de Terra Roxa. — Foto: MPPR

Cinco pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Paraná por envolvimento em crimes de tortura, sequestro e cárcere privado na Clínica Médica Vida Nova.

O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou cinco pessoas por envolvimento em crimes de tortura, sequestro e cárcere privado na Clínica Médica Vida Nova, em Terra Roxa, no oeste do Paraná.

Segundo as investigações, 72 mulheres estavam internadas no estabelecimento, muitas contra a própria vontade, e eram submetidas a castigos, trabalho forçado e restrições de contato com familiares. Entre os denunciados estão o proprietário da clínica, a administradora, o coordenador terapêutico e uma terapeuta que também exercia função de coordenação. Os quatro são acusados de sequestro e cárcere privado. Um médico do estabelecimento foi denunciado pelo crime de tortura.

O proprietário permanece preso desde a operação realizada em setembro, conduzida pela Promotoria de Justiça de Terra Roxa, denominada Operação Aurora. As identidades dos envolvidos não foram divulgadas.

Segundo o MPPR, entre as pacientes havia mulheres com dependência química, transtornos mentais, idosas e pessoas com deficiência. As mulheres eram internadas a pedido de familiares ou terceiros, sem laudo médico e sem o próprio consentimento. Os contratos eram assinados apenas pelos responsáveis e estabeleciam antecipadamente o período de permanência.

Para deixar a clínica, as pacientes dependiam da quitação das mensalidades e do pagamento de uma multa em caso de encerramento antecipado, procedimento denominado pelo estabelecimento de “alta administrativa”. A investigação aponta que as mulheres eram impedidas de sair por meio de portões fechados, quartos e corredores trancados.

Em setembro, quando os responsáveis foram presos, a clínica informou em nota que estava colaborando com as investigações e reafirmou seu compromisso com a transparência e com a segurança das mulheres acolhidas. O estabelecimento negou práticas desumanizadas, cárcere privado ou qualquer conduta fora dos parâmetros legais. A clínica não foi interditada.