Ministério público denuncia jovem por abandono no Pico Paraná

Denúncia aponta dolo e omissão de socorro em caso que chocou montanhistas no Paraná

Ministério público denuncia jovem por abandono no Pico Paraná
Área de risco no Pico Paraná. Foto:

Jovem é denunciada pelo Ministério Público por abandono e omissão de socorro no Pico Paraná, após deixar amigo debilitado à própria sorte.

Contexto do abandono no Pico Paraná e a denúncia do Ministério Público

A jovem Thayane Smith foi denunciada pelo Ministério Público do Paraná por abandonar o amigo Roberto Faria Thomaz no Pico Paraná, configurando o crime de omissão de socorro. Conforme a investigação, Thayane deixou o homem à própria sorte mesmo após perceber a situação de vulnerabilidade em que ele se encontrava. O caso ganhou repercussão após Roberto ser encontrado debilitado e com lesões após caminhar mais de 20 km até a base do Pico, em Antonina Cacatu.

Aspectos jurídicos da denúncia e caracterização do dolo

Segundo o Ministério Público, a ação da jovem é dolosa, pois ela tinha plena consciência dos riscos que o local apresentava e abandonou o amigo sem intenção de auxiliá-lo, mesmo depois de alertas de outros montanhistas. O crime de omissão de socorro está previsto no artigo 135 do Código Penal e consiste em deixar de prestar assistência a pessoa em grave e iminente perigo, quando possível fazê-lo sem risco pessoal. A pena máxima é de seis meses de detenção.

Condições físicas da vítima e riscos da região influenciam decisão do MP

Roberto Thomaz apresentava sérias dificuldades físicas durante o percurso, tendo passado mal diversas vezes e sofrido escoriações e hematomas após a longa caminhada. A periculosidade do Pico Paraná, caracterizado por trilhas íngremes e clima imprevisível, foi fundamental para embasar a responsabilização judicial da denunciada. A situação expôs a gravidade da omissão e os riscos a que a vítima esteve submetida.

Propostas de reparação e medidas penais alternativas indicadas pelo Ministério Público

O Ministério Público requisitou uma indenização por danos morais no valor correspondente a três salários mínimos, aproximadamente R$ 4.863,00, a ser paga à vítima. Além disso, foi proposta prestação pecuniária de R$ 8.105,00 a ser destinada ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, totalizando cerca de R$ 13 mil. Caso a denúncia seja acatada, Thayane também deverá cumprir serviços comunitários por três meses, cinco horas semanais.

Processo judicial e próximos passos após denúncia

A denúncia formal deverá ser analisada por um juiz, que decidirá se aceita ou não a acusação. Com a aceitação, Thayane se tornará ré no processo e o caso seguirá para julgamento, onde poderá haver condenação ou absolvição. Este procedimento reforça a importância da responsabilização em situações que envolvem risco à vida e omissão de socorro, especialmente em ambientes naturais com elevado grau de periculosidade.

O episódio no Pico Paraná evidencia os desafios legais e éticos na prática de atividades em áreas remotas, ressaltando a necessidade de solidariedade e responsabilidade entre montanhistas e frequentadores de trilhas.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br