Ministério Público pede suspensão da derrubada de árvores no Butantã

Decisão judicial pode interromper cortes para empreendimento imobiliário em São Paulo

Ministério Público pede suspensão da derrubada de árvores no Butantã
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Ministério Público recomenda que Justiça interrompa derrubada de árvores no Butantã para construção de empreendimento.

O Ministério Público e a derrubada de árvores no Butantã

No dia 26 de setembro de 2023, o promotor Marcelo Ferreira de Souza Netto, do Ministério Público de São Paulo, recomendou que a Justiça suspenda a derrubada de árvores na Avenida Guilherme Dumont Villares, no Butantã, zona oeste da cidade. Essa ação é necessária para a construção de um empreendimento imobiliário da construtora Tenda, que prevê a derrubada de 384 árvores, incluindo 128 nativas.

O processo de autorização e suas irregularidades

A autorização para o corte das árvores foi concedida pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Contudo, o promotor alega que o processo administrativo ocorreu sem a devida consulta pública, levantando indícios de infração aos princípios da transparência e da preservação ambiental. Essa falta de transparência é uma preocupação central na manifestação do Ministério Público, que requer a suspensão imediata dos cortes.

Reações de parlamentares e a exigência de estudos

Os deputados Luciene Cavalcanti, Carlos Giannazi e o vereador Celso Gianazzi, todos do PSOL, foram os autores do pedido para que a Justiça intervenha. Eles solicitam, além da suspensão, um estudo de impacto ambiental que comprove a viabilidade do empreendimento sem comprometer a vegetação local e o equilíbrio ambiental. O promotor corroborou essa exigência, enfatizando a necessidade de um exame mais rigoroso das consequências da autorização dada pela prefeitura.

O Termo de Compromisso Ambiental e suas implicações

A gestão municipal e a construtora Tenda assinaram um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) que prevê, além do corte das árvores, a plantação de 221 mudas de espécies nativas na mesma região. Contudo, o replantio só será realizado após a conclusão das obras, que ainda não tiveram início. Além disso, a Tenda deve doar cerca de R$ 2,5 milhões ao Fundo Especial de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o que poderá ser utilizado para melhorias em áreas verdes da cidade.

Controvérsias e protestos na comunidade

Essa decisão tem gerado protestos entre os moradores da região, que temem os impactos ambientais da derrubada das árvores. No Alto da Lapa, um grupo intitulado Salve o Bosque manifesta contra a construção de prédios residenciais que também implicam na remoção de árvores. A venda do terreno para a construtora Tegra, que envolve a retirada de 118 árvores do Bosque dos Salesianos, intensificou o descontentamento popular.

A posição da construtora Tenda

A construtora Tenda, em resposta às preocupações, afirmou que o projeto foi aprovado conforme as normas municipais e que a compensação ambiental foi adequadamente considerada. A empresa defende que o processo de aprovação do empreendimento foi realizado em conformidade com a legislação vigente e que contempla medidas de compensação arbórea.

Considerações finais

O desenrolar dessa situação no Butantã é um exemplo de como o desenvolvimento urbano deve ser equilibrado com a preservação ambiental. A pressão da sociedade civil e a atuação do Ministério Público são fundamentais para garantir que os direitos ambientais sejam respeitados e que a transparência no processo de autorização de obras seja uma prioridade. O futuro do empreendimento e da vegetação local agora depende da decisão da Justiça.

Fonte: www1.folha.uol.com.br