Documentos oficiais revelam uso de aeronave de empresa associada ao dono do Banco Master para voo em 2025

Relatórios indicam que o ministro Toffoli voou em avião ligado a Daniel Vorcaro para visitar o Resort Tayayá em julho de 2025.
Detalhes do voo do ministro Toffoli em aeronave associada a Daniel Vorcaro
O ministro Toffoli utilizou um avião da Prime Aviation, empresa que teve Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, como sócio, para um voo ocorrido em 4 de julho de 2025. Segundo registros oficiais da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), a aeronave prefixo PR-SAD partiu do terminal executivo do Aeroporto de Brasília às 10h10, com destino a Marília, cidade natal do ministro. Esse detalhe é fundamental para entender as conexões entre o ministro e as empresas ligadas a Vorcaro.
Na mesma data, seguranças do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo foram destacados para Ribeirão Claro, onde está localizado o Resort Tayayá, local frequentado por Toffoli. O deslocamento foi confirmado pelo STF para atender a uma autoridade, o que sugere a importância da viagem.
Relações societárias e histórico do resort Tayayá
O Resort Tayayá, no Paraná, tem ligações históricas com a família do ministro Toffoli, embora tenha passado por uma mudança significativa em sua composição societária em 2025. Em dois meses, o advogado Paulo Humberto Barbosa adquiriu todas as cotas dos familiares do ministro, tornando-se o único proprietário do empreendimento.
Até o ano anterior, Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, figurava como sócio no Tayayá. Isso evidencia uma rede de relações entre membros do STF, empresários e operadores financeiros, o que reforça a relevância da apuração sobre a utilização de aeronaves e vínculos de negócios.
Utilização de aeronaves por outras autoridades ligadas a Vorcaro
Além de Toffoli, o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, também utilizaram jatos executivos associados a empresas de Daniel Vorcaro. Registros indicam pelo menos sete viagens realizadas entre maio e outubro de 2025.
Houve ainda uma viagem confirmada em agosto de 2025 que reuniu Vorcaro, parlamentares e ex-ministros em um jatinho de Brasília para São Paulo, que reforça o entrelaçamento entre figuras políticas e empresariais. Entretanto, o gabinete de Alexandre de Moraes negou essas viagens, qualificando as informações como “ilações”.
Implicações e questionamentos sobre o uso de recursos e conexões
A revelação da utilização de aeronaves ligadas a Daniel Vorcaro por autoridades do STF e o deslocamento de segurança para o Resort Tayayá suscitam questões sobre possíveis conflitos de interesse e transparência. O uso de jatos executivos para deslocamentos pessoais entre membros do Judiciário e empresários pode afetar a percepção pública sobre a independência e imparcialidade das instituições.
Além disso, o sigilo alegado pela empresa Prime Aviation, que não divulga informações sobre seus usuários, dificulta a avaliação completa dessas relações e amplia o debate sobre a necessidade de maior fiscalização e transparência em casos envolvendo autoridades públicas.
Contexto político e repercussão na opinião pública
Esses fatos ocorrem em um momento delicado para o cenário político brasileiro, onde o escrutínio sobre a conduta de autoridades e a relação com grupos empresariais é intenso. A investigação jornalística aprofundada, baseada em documentos oficiais e cruzamento de dados públicos, contribui para o debate democrático e a exigência de clareza nas ações dos representantes públicos.
A resposta oficial limitada dos envolvidos reforça a controvérsia e a necessidade de maiores esclarecimentos para garantir a confiança da sociedade nas instituições. Os vínculos evidenciados entre Toffoli, Vorcaro e outros atores políticos e empresariais permanecem sob análise e podem motivar desdobramentos jurídicos e políticos nos próximos meses.
Fonte: metropoles.com





