Modelos de negócio disputam mercado promissor de psicodélicos

Duas empresas internacionais avançam com tratamentos inovadores para depressão utilizando substâncias psicodélicas sintéticas

Modelos de negócio disputam mercado promissor de psicodélicos
Pesquisa clínica com psicodélicos para tratamento da depressão avançou com duas empresas Foto:

Empresas do Canadá e Reino Unido lideram o mercado de psicodélicos com tratamentos inovadores para depressão usando DMT e psilocibina sintéticos.

O mercado de psicodélicos está em rápida transformação com a entrada de modelos de negócio que disputam espaço apostando em tratamentos para depressão baseados em substâncias psicodélicas sintéticas. Em 16 de fevereiro de 2026, a Cybin/Helus, empresa canadense, divulgou dados animadores sobre o uso do DMT (N,N-dimetiltriptamina) em infusão lenta para depressão moderada a grave, enquanto a britânica Compass Pathways avançou com ensaios clínicos de psilocibina para depressão refratária.

Inovação clínica com DMT e psilocibina para depressão

A Cybin aplicou uma infusão de 21,5 mg de DMT durante dez minutos, gerando uma experiência psicodélica de 20 a 30 minutos. O estudo, realizado em parceria com o Imperial College de Londres, envolveu 34 participantes e mostrou redução significativa na escala MADRS de depressão após duas semanas. O método enfatiza a brevidade da experiência para efeitos antidepressivos rápidos, comparável à vaporização de DMT testada no Instituto do Cérebro da UFRN, que oferece um procedimento não invasivo e acessível.

Por sua vez, a Compass Pathways realizou dois ensaios clínicos de fase 3 com psilocibina sintética (COMP360), totalizando mais de 800 pacientes com depressão refratária. A administração oral de 25 mg da substância induz uma experiência aguda que dura cerca de seis horas, com acompanhamento psicológico mas não psicoterapia assistida por psicodélicos (PAP). Os resultados indicaram redução na gravidade da depressão e manutenção dos efeitos por até 26 semanas em alguns casos.

Estratégias comerciais no mercado de psicodélicos para a saúde mental

Ambas as companhias adotam modelos inspirados na farmacologia tradicional, buscando formulações patenteadas e tratamentos episódicos, como no caso do Spravato (cetamina inalável) da Janssen, que fatura bilhões ao exigir supervisão clínica prolongada. A aposta é que doses rápidas e controladas possam ser comercializadas como medicamentos, afastando-se do modelo mais holístico e prolongado da psicoterapia assistida por psicodélicos, que enfatiza o processamento emocional e traumas.

Controvérsias sobre o uso terapêutico e ético dos psicodélicos

Especialistas e críticos apontam que a ênfase em experiências breves pode negligenciar o suporte psicológico necessário para lidar com as intensas vivências induzidas pelas substâncias. Joost Breeksema, da Fundação Open, ressalta que impor uma experiência profunda sem o suporte adequado é uma questão ética delicada. Essa tensão reflete o desafio de equilibrar inovação farmacológica, eficácia clínica e responsabilidade no tratamento.

Perspectivas regulatórias e impacto no futuro do mercado

A Compass Pathways aguarda aprovação da FDA para comercializar oficialmente sua formulação COMP360 até o final do ano, o que pode abrir caminho para maior aceitação dos psicodélicos no campo médico. O avanço dessas terapias sintéticas sinaliza um mercado em expansão, mas que ainda deve enfrentar debates sobre eficácia, segurança e modelos terapêuticos ideais.

O mercado de psicodélicos como vetor de transformação na saúde mental

A concorrência entre empresas que desenvolvem tratamentos com DMT e psilocibina sintéticos mostra um movimento de consolidação do mercado de psicodélicos dentro da indústria farmacêutica. Enquanto os dados clínicos são promissores, o futuro desse mercado depende não apenas das aprovações regulatórias, mas também da aceitação social e da construção de protocolos terapêuticos que combinem inovação química com suporte psicológico integral.

Fonte: www1.folha.uol.com.br