Dossiê da ANTRA revela perfil, locais e aumento das agressões por transfobia

Dossiê da ANTRA mostra que 80 pessoas trans foram assassinadas em 2025 no Brasil, a maioria mulheres trans negras entre 18 e 29 anos, com aumento de agressões por transfobia.
O Brasil registrou pelo menos 80 mortes de pessoas trans em 2025, segundo dossiê divulgado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) nesta segunda-feira (26). Essas mortes são classificadas como Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) motivados por transfobia, evidenciando a persistência da violência contra esta população.
Perfil das vítimas e contexto social
A maior parte das vítimas são travestis e mulheres transexuais negras ou pardas, com idade entre 18 e 29 anos. Este perfil reafirma o impacto da interseccionalidade entre gênero, raça e juventude na vulnerabilidade social enfrentada por essas pessoas. Segundo o dossiê, 77 dos casos envolveram travestis e mulheres trans, enquanto os demais foram homens trans e pessoas transmasculinas.
A predominância de mulheres nas estatísticas está relacionada à violência de gênero que afeta a população feminina em geral, incluindo mulheres cisgênero, mas intensificada no contexto trans. Como destaca a ANTRA, a identidade de gênero feminina das vítimas está diretamente ligada à motivação dos crimes.
Racismo e raça
Dos registros com autodeclaração racial, ao menos 70% das vítimas eram negras ou pardas, número que se mantém dominante desde 2017. O dossiê também registra 15 mortes de pessoas trans brancas e duas indígenas, indicando que o racismo é um componente relevante nos assassinatos, juntamente com a transfobia.
Faixa etária e vulnerabilidade
A análise revela que não houve registros de mortes de pessoas trans acima dos 60 anos, e duas vítimas eram menores de idade. A concentração das mortes entre jovens adultos reforça os desafios específicos enfrentados por essa faixa etária.
A ANTRA destaca que a vulnerabilidade social, especialmente entre profissionais do sexo, aumenta o risco de violência direta. A maioria das ocorrências se deu em locais públicos de interior de cidades, apontando para um cenário de desproteção e invisibilidade social em diversas regiões.
Distribuição geográfica dos casos
Os estados com maior número de assassinatos são Ceará e Minas Gerais, com oito casos cada, seguidos por Bahia e Pernambuco, com sete cada. Outros estados como Goiás, Maranhão, Pará, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte e São Paulo também registraram casos significativos. Não foram disponibilizadas informações para Acre, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Aumento das agressões por transfobia
Embora o número de mortes tenha sido o menor em oito anos, o dossiê aponta um aumento de 45% nas notificações de agressões motivadas por transfobia entre 2024 e 2025. Este dado indica que a violência contra pessoas trans permanece uma grave questão social que demanda atenção e políticas públicas eficazes.
Brasil na liderança mundial
O relatório reforça que o Brasil segue na liderança mundial em mortes de pessoas trans há quase duas décadas, refletindo um quadro preocupante que exige mobilização social e governamental para combater efetivamente a transfobia e a violência de gênero em todas as suas formas.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





