Conflito entre Câmara e governo cresce com projeto de Lula sobre jornada de trabalho

Disputa política cresce entre governo e Câmara sobre o fim da escala 6×1, com Motta optando pela PEC contra projeto de Lula.
Conflito entre projeto de Lula e PEC da Câmara sobre a escala 6×1
A escala 6×1 é o centro de um embate político no Congresso Nacional nesta semana de abril de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou um projeto de lei com urgência constitucional para reformular a jornada de trabalho, propondo jornada de 40 horas semanais distribuídas em modelo 5×2, garantindo dois dias consecutivos de descanso. Por outro lado, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mantém a prioridade na tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê jornada semanal de até 36 horas, com possibilidade de até quatro dias de trabalho, e implementação gradual em até 10 anos. A disputa ganhou contornos políticos devido à aproximação das eleições de outubro de 2026, com Lula querendo transformar o tema numa bandeira eleitoral e Motta buscando capitalizar protagonismo no Legislativo.
Detalhes sobre tramitação e diferenças entre PL e PEC
O projeto enviado por Lula em 14 de abril de 2026 conta com urgência constitucional, o que prevê tramitação acelerada no Congresso, com prazo de 45 dias para votação em cada Casa. Já a PEC da Câmara, apresentada inicialmente em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e unificada posteriormente com proposta de Erika Hilton (PSol-SP) em 2025, exige um processo mais complexo, com análise em comissão especial e votação em dois turnos no plenário, necessitando de quórum qualificado de 3/5 dos parlamentares. Enquanto o PL pode ser sancionado ou vetado pelo presidente, a PEC altera diretamente a Constituição, não necessitando de sanção presidencial. Motta declarou publicamente que a expectativa é aprovar a PEC até o final de maio, prazo próximo ao da tramitação do PL enviado pelo governo.
Disputa política e influência nas eleições de outubro de 2026
Nos bastidores, a movimentação entre governo e Congresso vai além das diferenças técnicas, refletindo uma disputa por visibilidade política. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, buscou convencer Motta a pautar o projeto do governo, mas o presidente da Câmara recusou, optando por manter o foco na PEC. A iniciativa do governo seria uma tentativa de aprovação rápida para que o fim da escala 6×1 se torne uma bandeira de campanha para reeleição de Lula. Já Motta, que teve dificuldades em 2025 para equacionar demandas políticas divergentes, busca reforçar sua relevância legislativa com a aprovação da PEC, visando capital político para o próximo período eleitoral.
Aspectos jurídicos e impactos da alteração da escala 6×1
A escala 6×1 vigente determina seis dias consecutivos de trabalho seguidos de um único dia de descanso. O fim dessa escala representa uma mudança significativa nas relações trabalhistas brasileiras. A PEC prevê uma redução gradual da jornada para 36 horas semanais e a possibilidade de quatro dias de trabalho por semana, enquanto o projeto do governo propõe jornada fixa de 40 horas semanais com dois dias consecutivos de descanso. As discussões também envolvem o impacto econômico e social dessa mudança, incluindo a adequação das empresas, a proteção dos direitos dos trabalhadores, e os efeitos sobre a produtividade e saúde dos empregados.
Próximos passos e cenários para aprovação da escala 6×1
A PEC ainda aguarda votação de admissibilidade na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, prevista para 22 de abril de 2026, e posteriormente será analisada por uma comissão especial. Para o PL enviado pelo governo, a definição de relator é fundamental para avançar na tramitação, mas Motta não indicou prazo para essa nomeação, o que pode atrasar o processo. O embate entre as propostas deve continuar nos próximos meses, influenciado pelo calendário eleitoral e pelas negociações políticas entre Executivo e Legislativo. A decisão sobre a escala 6×1 terá forte impacto social e econômico, sendo observada atentamente por trabalhadores, empregadores e especialistas em legislação trabalhista.
Fonte: www.metropoles.com





