MPF aponta desvio de 5,7 bilhões do banco Master com clínica e hospital infantil

Investigação revela esquema de fraudes que envolveu emissão de notas comerciais e intermediações financeiras suspeitas

MPF aponta desvio de 5,7 bilhões do banco Master com clínica e hospital infantil
Dinheiro em espécie apreendido pela Polícia Federal em operação contra envolvidos no caso do banco Master. Foto: Dinheiro em espécie apreendido pela PF em operação contra envolvidos no caso do banco Master

MPF investiga esquema de desvio de R$ 5,7 bilhões no banco Master envolvendo clínica médica e hospital infantil.

Investigação do MPF revela desvio de dinheiro no banco Master com clínica médica e hospital infantil

O Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo identificou um complexo esquema de desvio de dinheiro do banco Master, estimado em R$ 5,7 bilhões, que envolve a emissão fraudulenta de notas comerciais por uma clínica médica e um hospital infantil. A investigação aponta que parte dos recursos captados via CDBs pelo banco foram direcionados para fundos de investimento em que o banco é cotista único, e esses fundos adquiriram títulos de empresas vinculadas aos sócios do Master.

Detalhes do esquema e papel da Clínica Mais Médicos e Hospital da Criança de São José

A Clínica Mais Médicos emitiu notas comerciais no montante de R$ 361 milhões sem garantias reais, apresentando um capital social zerado e uma dívida 6.500 vezes maior que sua receita anual bruta, que foi de apenas R$ 54 mil em 2023. A presidente da clínica, Valdenice Pantaleão, foi apontada como uma pessoa interposta, tendo recebido auxílio emergencial durante a pandemia, o que sugere que atuava como laranja no esquema. O hospital infantil também emitiu R$ 372 milhões em notas compradas pelo banco Master, reforçando o padrão das operações fraudulentas.

Uso de fundos de investimento e intermediação na lavagem de dinheiro

O MPF identificou que mais de R$ 3,5 bilhões foram investidos pelo Master em fundos dos quais era único cotista, destinando aproximadamente R$ 1,8 bilhão para a aquisição de notas comerciais emitidas por empresas dos próprios sócios. Administradoras como Reag, Ruby Capital e Trustee DTVM estão sendo investigadas por gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, com destaque para a Reag, que teria usado familiares para ocultar o desvio dos valores. Entre as operações suspeitas, constam empréstimos fictícios para empresas como Brain Realty, que receberam R$ 460 milhões do banco Master para movimentações financeiras irregulares.

Consequências e bloqueios judiciais solicitados

Diante dos elementos apurados, o MPF solicitou bloqueios judiciais sobre R$ 5,7 bilhões relacionados ao esquema. As movimentações financeiras e conexões societárias revelam uma estrutura que permitia o controle do fluxo de dinheiro entre fundos, empresas e pessoas físicas ligadas aos sócios do banco, dificultando o rastreamento e viabilizando o desvio em larga escala. A operação inclui medidas de busca e apreensão contra os envolvidos, com investigações em andamento para apuração completa dos fatos.

Impactos na regulação financeira e no controle de fundos de investimento

Este caso evidencia fragilidades na fiscalização de operações financeiras complexas envolvendo fundos de investimento e notas comerciais emitidas por empresas de fachada com vínculos pessoais e societários. A ligação entre o banco Master, fundos de investimento e empresas de fachada reforça a necessidade de maior rigor regulatório e transparência para evitar esquemas semelhantes que comprometem a estabilidade econômica e financeira. As autoridades seguem monitorando o desenrolar das investigações para identificar todos os responsáveis e recuperar os valores desviados.

Fonte: noticias.uol.com.br

Fonte: Dinheiro em espécie apreendido pela PF em operação contra envolvidos no caso do banco Master