Alterações na tabela do Imposto de Renda Pessoa Física em 2026 trazem isenção para rendas até R$ 5 mil e mudanças para contribuintes de alta renda

O imposto de renda traz isenção para quem recebe até R$ 5 mil e introduz novo tributo para alta renda a partir dos salários de fevereiro.
As alterações na tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) em 2026 já refletem nos salários pagos em fevereiro, beneficiando diretamente quem recebe até R$ 5 mil brutos por mês, que agora conta com isenção total do imposto de renda. Além disso, quem tem renda de até R$ 7.350 terá uma redução gradual do valor retido na fonte. Essas mudanças marcam um ajuste importante na política tributária, afetando a distribuição da carga fiscal entre diferentes faixas de renda.
O contador Adriano Marrocos destaca que essa nova tabela traz uma renúncia fiscal estimada em R$ 25,4 bilhões, que será compensada pelo Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), criado para atingir os contribuintes com renda mensal acima de R$ 50 mil e os super-ricos com renda anual superior a R$ 1,2 milhão. A tributação progressiva pretende equilibrar a arrecadação e diminuir a carga sobre as classes médias e baixas.
Entenda o novo Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo e seu impacto na arrecadação
O IRPFM incide sobre salários, lucros, dividendos e rendimentos de aplicações financeiras tributáveis para quem recebe mensalmente mais de R$ 50 mil, com alíquota progressiva que pode chegar a 10%. Para os chamados super-ricos, com renda anual acima de R$ 1,2 milhão, a alíquota mínima efetiva é de 10%. Essa medida busca aumentar a justiça fiscal e compensar a renúncia concedida às faixas mais baixas.
Segundo especialistas, o impacto dessa nova tributação na arrecadação federal deverá ser mínimo, pois a isenção passou de R$ 3.036 para R$ 5 mil, o que favorece principalmente quem tem renda média, enquanto os tributos sobre lucros e dividendos, antes isentos, agora passam a ser cobrados. Essa reformulação indica uma mudança estrutural na tributação sobre a renda no país.
O que muda para a declaração anual do imposto de renda em 2026 e 2027
De acordo com o Ministério da Fazenda, a correção da tabela do IRPF reflete nos rendimentos a partir de janeiro de 2026, mas a declaração anual entregue em maio de 2026, relativa a 2025, permanece sem alterações. Os benefícios dessas mudanças só serão percebidos plenamente na declaração que será feita em 2027.
Os principais descontos e deduções continuam os mesmos, tais como R$ 189,59 por dependente mensalmente, desconto simplificado de até R$ 607,20 por mês, despesas com educação limitadas a R$ 3.561,50 por pessoa ao ano, e o desconto simplificado anual de até R$ 17.640. Portanto, para a maioria dos contribuintes, o processo de declaração mantém sua estrutura habitual.
Cuidados para quem tem múltiplas fontes de renda na hora da declaração
Para os contribuintes que possuem mais de uma fonte de renda, o benefício da isenção para quem ganha até R$ 5 mil não se aplica individualmente a cada rendimento isolado. É necessário somar todos os rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis, além dos bens, para verificar se há a obrigatoriedade de declaração e eventual complementação do imposto devido.
O contador Adriano Marrocos orienta que a conferência cuidadosa dos dados no informe de rendimentos disponibilizado pelas empresas é fundamental para evitar erros. Como as informações são enviadas eletronicamente à Receita Federal, a ocorrência de divergências é baixa, mas a atenção do contribuinte ao preencher e conferir a declaração pré-preenchida é imprescindível para garantir a conformidade.
Principais pontos para os contribuintes se prepararem para o IRPF 2026
Isenção total do imposto para quem ganha até R$ 5 mil brutos mensais a partir do salário de fevereiro.
Redução gradual do imposto retido para quem recebe até R$ 7.350.
Criação do Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo para rendas superiores a R$ 50 mil mensais.
Manutenção das principais deduções e descontos já conhecidos no momento da declaração anual.
- Atenção redobrada para quem possui múltiplas fontes de renda a fim de declarar corretamente todos os rendimentos.
Essas mudanças apontam para uma tentativa de tornar o sistema tributário mais progressivo, aliviando a carga sobre a maioria dos trabalhadores enquanto busca aumentar a contribuição dos mais ricos. O impacto no bolso dos brasileiros já começa a ser sentido neste mês com os salários de fevereiro, mas a declaração anual de 2026 ainda segue regras anteriores, sendo que os benefícios totais das alterações serão percebidos em 2027.
Fonte: ric.com.br
Fonte: Marcello Casal Jr/Agência Brasil





