Reflexões sobre violência de gênero e a urgência de políticas públicas eficazes

A violência contra mulheres no Brasil exige políticas urgentes para que elas possam sonhar e viver em segurança, destacando a importância do enfrentamento ao feminicídio.
A violência contra mulheres no Brasil tornou-se uma crise que ultrapassa estatísticas e impacta diretamente a vida de milhões. Dados recentes indicam que somente em 2024, mais de 1.400 mulheres foram vítimas de feminicídio, com São Paulo registrando 233 casos, o maior desde o início das medições em 2018. Além disso, as queixas de agressão contra mulheres nas delegacias atingiram a maior marca acumulada desde 2012. Esses números evidenciam um problema estrutural que exige atenção imediata e contínua.
A Violência de Gênero no Contexto Atual
A história da jornalista Jéssica Moreira traz à tona a complexidade da violência contra a mulher, que se manifesta dentro e fora de casa. Partindo da memória familiar marcada pela violência doméstica contra sua avó, que mesmo escapando do abuso conjugal, foi vítima da violência urbana, o relato ilustra como o ciclo de violência pode se apresentar de diferentes formas e graus, afetando gerações.
O perfil das vítimas também revela desigualdades profundas. Mulheres negras são as principais vítimas de feminicídio, representando 63% dos casos, apontando a interseccionalidade entre raça e gênero. Essa constatação ressalta a necessidade de políticas específicas que considerem essas múltiplas vulnerabilidades.
Principais Desafios e Caminhos para a Proteção
Feminicídio em alta: Em 2024, o Brasil registrou mais de 1.400 casos, com o estado de São Paulo batendo recordes históricos.
Agressões crescentes: As denúncias de agressões contra mulheres atingiram o maior índice desde 2012.
Impacto racial: Mulheres negras são as principais vítimas, demandando políticas interseccionais.
Violência urbana e doméstica: A violência se manifesta tanto dentro de casa quanto em espaços públicos.
Atendimento psicológico: Necessidade urgente de suporte emocional para vítimas e famílias.
Serviço e Segurança: O Que Está Sendo Feito e O Que Falta
Diante do cenário alarmante, a sociedade e o poder público precisam atuar com medidas consistentes para proteger as mulheres e oferecer suporte integral. Algumas ações essenciais incluem:
Fortalecimento das delegacias da mulher: Ampliação do atendimento especializado.
Programas de prevenção: Educação para desconstrução de padrões machistas desde a infância.
Apoio psicológico: Disponibilização de equipes multidisciplinares para vítimas e familiares.
Campanhas públicas: Sensibilização e conscientização sobre os direitos das mulheres.
Políticas intersetoriais: Integração entre saúde, segurança, assistência social e educação.
É imprescindível que essas medidas avancem para que as mulheres possam, finalmente, viver com dignidade e segurança, vislumbrando um futuro além da mera sobrevivência.
A reflexão proposta por ativistas, como Neon Cunha, reforça que o sonho é o antídoto do medo. Sonhar com ruas iluminadas, relacionamentos saudáveis e alternativas seguras para romper ciclos de violência é o ponto de partida para transformações sociais e políticas profundas.
Garantir que esses sonhos sejam ouvidos e concretizados exige um compromisso coletivo e a construção de uma cidade e país onde as mulheres possam caminhar, trabalhar e viver sem temor.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





