Perfil dos inadimplentes revela desigualdades de gênero, raça e condições socioeconômicas nas dívidas do país

Análise detalha que mulheres, jovens e pessoas de baixa renda enfrentam maior inadimplência e custos financeiros elevados no Brasil.
Panorama do endividamento no Brasil e grupos mais afetados
O endividamento no Brasil apresenta-se em 2026 com uma concentração significativa entre mulheres, jovens e pessoas de baixa renda, conforme indicam dados recentes da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. O perfil dos inadimplentes reflete não apenas a distribuição de renda, mas também desigualdades de gênero e raça que impactam o acesso e o custo do crédito.
Mulheres representam 51,40% das pessoas com dívidas em atraso, superando ligeiramente os homens, que somam 48,60%. Essa predominância feminina ganha relevância ao ser analisada em conjunto com fatores como renda média, inserção no mercado de trabalho e responsabilidades financeiras familiares, evidenciando um cenário socioeconômico complexo.
Desigualdades de gênero e raça no custo do crédito no Brasil
Análises do Cadastro Único (Cad Único) revelam que mulheres negras enfrentam as mais altas taxas de juros médias ponderadas pelo saldo contratado, atingindo cerca de 140% ao ano. Em contraponto, homens brancos apresentam taxas próximas a 97% ao ano, demonstrando disparidades expressivas nas condições de financiamento que refletem desigualdades estruturais no sistema financeiro.
Entre trabalhadores formais, os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) indicam taxas menores, porém a desigualdade persiste: homens brancos têm juros médios de 85% ao ano, contra 105% para mulheres negras. Esses números indicam que fatores como tipo de vínculo empregatício e histórico de crédito influenciam o custo das dívidas.
O impacto do cartão de crédito rotativo no perfil dos endividados brasileiros
O cartão de crédito, especialmente na modalidade rotativa, é um dos principais responsáveis pelo agravamento do endividamento no país. Essa modalidade apresenta juros elevados e é acionada por consumidores que não conseguem quitar o valor integral da fatura, ampliando o saldo devedor.
Dados do Banco Central apontam que, entre mulheres negras, 49% do saldo total do cartão corresponde ao rotativo, percentual semelhante encontrado entre mulheres brancas (47%). Entre os homens negros, essa participação atinge 53%, e 50% entre homens brancos. Mesmo entre trabalhadores formais, essa dependência é significativa, comprometendo a capacidade financeira no médio prazo.
Regionalização da inadimplência e suas consequências econômicas
A inadimplência no Brasil não é homogênea, apresentando variações regionais importantes. O Norte registrou a maior alta recente, com crescimento de 9,73% no número de inadimplentes, seguido pelo Sul (9,25%), Sudeste (8,97%), Centro-Oeste (6,71%) e Nordeste (6,60%).
Essa distribuição está relacionada a combinações de menor renda, instabilidade no emprego e acesso restrito a crédito em condições favoráveis, reforçando a necessidade de políticas regionais específicas para enfrentar o problema.
Medidas governamentais para conter o endividamento e ampliar o acesso ao crédito
O governo federal tem adotado um conjunto de medidas para reduzir o endividamento das famílias, priorizando o acesso a crédito com juros mais baixos e a reorganização de dívidas atuais. Entre as estratégias destacam-se o estímulo ao crédito consignado e a possibilidade de uso do saldo do FGTS como garantia em operações financeiras.
Além disso, programas de renegociação reúnem bancos e empresas para oferecer descontos e condições facilitadas, com o objetivo de reinserir consumidores no mercado de crédito de forma sustentável.
A manutenção da taxa Selic em 14,75% ao ano eleva o custo do crédito, impactando o consumo e os investimentos, o que reforça o desafio de equilibrar controle inflacionário e acesso ao financiamento para a população.
Essas iniciativas combinam alívio imediato com mudanças estruturais para reduzir o custo do crédito, enfrentando um cenário de altas taxas históricas e desigualdades no sistema financeiro brasileiro.
Fonte: www.metropoles.com





